09 novembro 2017

Água vai chegar a Viseu de comboio



Há cerca de 10 dias que quatro concelhos do distrito de Viseu estão a ser abastecidos com a ajuda de camiões-cisterna. A operação já obrigou ao gasto de 200 mil euros.

O presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, avançou à TSF que, a partir da próxima semana, o concelho, que tem atravessado um período de seca severa, será abastecido com recurso ao transporte de água por comboio.

O Jornal de Notícias tinha avançado, esta quinta-feira, que o Ministério do Ambiente estava preparar o transporte de água por comboio e o seu tratamento nas pedreiras, para consumo humano.

Em declarações à TSF, o autarca de Viseu adianta que o transporte, feito a partir da estação do Entroncamento, deve começar já na próxima semana e sublinha que todas as medidas são necessárias para garantir que a água continua a correr nas torneiras.

"Está programado que, na próxima semana, isto passe a acontecer e, diariamente, possa ser feito um transporte durante a noite", indicou o autarca.

"Todas estas soluções têm que ser colocadas em prática de imediato", declarou Almeida Henriques, "todos os dias as pessoas estão a consumir água e nós não podemos faltar com a água nas torneiras".

Apesar da população estar a seguir as recomendações e a reduzir o consumo, o autarca de Viseu salienta que a Barragem de Fagilde não terá água suficiente para abastecer a população dentro de cerca de "20 dias".

Há cerca de 10 dias que quatro concelhos do distrito de Viseu estão a ser abastecidos com a ajuda de camiões cisterna. Todos os dias chegam à região 3.300 m3 de água.

Almeida Henriques admite que o transporte por comboio acarreta custos elevados, mas não tão altos quanto os do atual sistema de transporte.

"O custo é bastante mais baixo do que o custo que estamos a ter neste momento", garantiu o autarca. "Desde que começámos esta operação, a Câmara de Viseu já gastou 200 mil euros. Estamos a gastar uma média de 20 mil euros por dia", esclareceu.

O presidente da Câmara Municipal de Viseu adianta que o município já não tem verbas para suportar as despesas com o abastecimento de água e pede apoio ao governo.

"Não temos capacidade financeira para aguentar este tipo de despesa", disse, lembrando que os 250 mil euros providenciados pelo governo para as operações de abastecimento "já foram gastos".

"É preciso que o governo olhe para a situação como uma situação de emergência"

Ao plano de contingência, com caráter mais imediato, junta-se a decisão do Ministério do Ambiente de avançar com o desassoreamento da albufeira e o alteamento da barragem do Fagilde que passará a ter maior capacidade de armazenamento (20 a 25%).

O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) já deu parecer favorável à realização da obra.

Fonte: TSF