22 julho 2017

Uma “ementa ideal” para quem anda a combater incêndios. E não, o leite não ajuda

Autoridades de Saúde prepararam “ementa ideal” para bombeiros no combate ativo. Reforçam, mais uma vez, que os laticínios não são um antídoto para intoxicações e recomendam rebuçados peitorais.

Homens e mulheres que combatem incêndios florestais fazem um esforço físico intenso, que obriga o organismo a utilizar energia suplementar. Os especialistas estimam que as necessidades energéticas aumentem 270 kcal por cada hora no terreno, ditando cuidados especiais na dieta. Segundo peritos da Direção-Geral da Saúde (DGS), a “ementa ideal” inclui “alimentos pouco perecíveis, leves e fáceis de transportar e com elevada densidade energética e capacidade hidratante”.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, Pedro Graça, explica que “as necessidades médias de um bombeiro em situações de combate a incêndio podem variar entre 2900 e 3600 Kcal, mudando consideravelmente em função do número de horas de combate”. O nutricionista explica que “todos os que se encontram nestas situações deverão ter em atenção alguns cuidados básicos”. O leite não faz parte do menu, pois é “um mito” que “é um antídoto do monóxido de carbono, que não é (não se dá leite nos hospitais)”, lê-se no site da DGS.

Da lista a ter em mente por quem participa no combate efetivo à chamas fazem parte cuidados para assegurar a energia e a hidratação do organismo. Por hora deve beber-se um litro de água ou bebidas com hidratos de carbono e eletrólitos (utilizadas por desportistas) para repor os níveis de sódio perdidos pela elevada transpiração, ingerir pão, cereais e fruta para manter o desempenho mental e do próprio sistema imunitário e consumir banana, citrinos, limonada, sumo de laranja ou de tomate para assegurar os níveis de potássio. As bebidas alcoólicas, o café ou os refrigerantes com cafeína devem ser evitados.

Ao Expresso, Pedro Graça exemplificou um “dia alimentar” que deve ser assegurado, por exemplo nos pontos de descanso, a quem combate os incêndios florestais. “Mistura alimentos que podem ser dados pela população ou comprados localmente, portanto fáceis de encontrar, com outros mais complexos, que podem ter de ser adquiridos antecipadamente.”

O perito da DGS reconhece que o menu ‘confecionado’, “em muitas situações é difícil de atingir, nomeadamente às refeições principais” e que “não é semelhante aos kits existentes e preparados para um dia de eventual isolamento dos bombeiros”. Pedro Graça explica que “trata-se de uma ementa ideal, com grande valor energético e com o possível equilíbrio nutricional”.

DIA ALIMENTAR
Composição nutricional: 
3416,33 kcal-valor energético
451,7g Hidratos de carbono
100,73g Gordura
121,67g Proteína

Pequeno-almoço 
Leite com chocolate (240 ml)
2 pães de 50g cada com compota

Meio da manhã
1 Barra de cereais (21g)
1 Néctar de fruta (200 ml)
1 Bebida para desportistas (500 ml)

Almoço
Sopa de legumes*
Prato de refeição*
1 peça de fruta
30 g de uvas passa
Água
(*eventualmente refeições pré-preparadas, prontas a consumir)

Meio da tarde 1
1 pão de 50 g com carne assada (100g)
1 Bebida para desportistas (500 ml)
50 g de frutos gordos

Meio da tarde 2
1 Barra de cereais (21g)
1 Néctar de fruta (200 ml)

Jantar
Idêntico ao almoço

Ceia
1 Barra de cereais (21g)
1 Néctar de fruta (200 ml)

Outros produtos
Sal (4g)
Rebuçados peitorais
Pacotes de açúcar


Fonte: Expresso