31 julho 2017

Mação: “Têm de Dar Explicações Sobre o que Aconteceu”

A fúria das chamas voltou em força à região Centro a 23 de julho, quando deflagrou o incêndio que viria a espalhar-se pelos concelhos da Sertã, Proença-a-Nova e Mação.

Neste último, regularmente apontado como um exemplo na prevenção, arderam 18 mil hectares. População e autarquia questionam-se agora como foi possível que a catástrofe ganhasse tais proporções. 

CM – Que balanço faz do incêndio no seu concelho? 

Vasco Estrela – Quando o fogo consome mais de 18 mil hectares de floresta, afeta 20 lugares do concelho e obriga a evacuar 14 ou 15, o balanço só pode ser extremamente negativo. Não pode arder uma extensão tão grande e achar-se normal. Nem quero pensar na possibilidade de haver mais incêndios no verão. 

– Teceu críticas à intervenção da Proteção Civil durante o incêndio. Acha que houve erros no combate ao fogo? – A autoridade já deveria ter falado connosco. Não estou a pôr em causa um único bombeiro, mas as pessoas do concelho terão de ter explicações sobre o que aconteceu. Temos de perceber o que aconteceu, para nossa tranquilidade, ou o caso de Mação vai ser replicado noutros locais. 

– Faltaram meios para permitir um combate efetivo no terreno? 

– Mação sabe que o problema não está ao nível do combate aos incêndios, mas sim na prevenção. Temos estradões prontos há muitos anos, e o cadastro florestal é importante, mas não resolve tudo. É preciso ordenar a floresta com culturas que permitam diversificar a paisagem. 


– A nível de área ardida, este ano foi quase igual a 2003, quando ardeu metade do concelho, 20 mil hectares de floresta. Somos o concelho com mais área ardida, e embora não queira o título para nada não desejo a ninguém que passe pela mesma situação. 

– Que medidas aponta como soluções para o futuro? 

– No próximo ano, temos de criar zonas de proteção em torno das aldeias. É preciso fazer um esforço, com fundos europeus, para que o fogo não entre na casa das pessoas. 

PERFIL 
Vasco Estrela nasceu a 6 de julho de 1971, em Mação. Líder da autarquia desde 2013, após ter sido vice-presidente no mandato anterior, acumula a liderança da autarquia com a presidência do conselho de administração da Agência Médio Tejo 21. É provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mação e presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens. Integrou o Conselho de Jurisdição Nacional da JSD.

Fonte: Correio da Manhã