28 julho 2017

Bombeiros. Dirigentes associativos propõem “revolução”

Grupo de seis dirigentes dos bombeiros voluntários lançam apelo à unidade. "O contexto do tempo em que vivemos obriga-nos a assumir, com determinação e garra, o nosso destino", refere carta interna.
Os presidentes de seis associações de bombeiros voluntários vão difundir uma carta às restantes associações e a todos os presidentes de federações para contestar uma situação que “chegou ao limite dos limites“. É o “primeiro passo” de uma “revolução” contra “a tutela” e contra as instituições representativas dos bombeiros portugueses. “O contexto do tempo em que vivemos obriga-nos a assumir, com determinação e garra, o nosso destino”, refere o documento, a que o Observador teve acesso.
A tomada de posição surge na sequência dos “grandes incêndios” das últimas semanas. Fogos que puseram “a nu fragilidades, incompetências, demagogias, intenções escondidas, reformas adiadas e, enfim, uma indefinição clara da instituição Bombeiros de Portugal que, nalguns dos seus aspetos desvalorizamos, mas não escamoteamos”.
A proposta de uma “reflexão alargada” aos quase 38 mil bombeiros portugueses partiu de um encontro dos presidentes de seis associações de bombeiros voluntários, figuras com peso no setor: Vila Viçosa (cujo presidente, Inácio Esperança, também dirige a Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora), Santa Marinha do Zêzere (José Miranda), Figueira da Foz (Lídio Lopes, presidente do conselho fiscal da Liga de Bombeiros Portugueses), Valença (Luís Brandão Coelho, presidente da federação e Viana do Castelo) e Palmela (Octávio Machado). É um “murro na mesa”, como descreve um dos promotores da carta ao Observador.
Os dirigentes contestam o “impasse, a dúvida, a indefinição e o faz de conta do politicamente correto, com intenções que nem sempre são os da defesa dos legítimos interesses da proteção e socorro dos portugueses”, refere o documento que chegará esta sexta-feira aos dirigentes dos bombeiros de todo o país.
Os autores da missiva, dirigentes associativos — é nessa qualidade que assinam a carta –, criticam a falta de respostas da tutela, mas deixam subentendido que os próprios representantes nacionais do bombeiros têm facilitado a “passividade” dos responsáveis políticos. O pedido de mobilização — um “primeiro passo de um caminho que não se mostra condicionado a nenhum poder” — , surge a cerca de três meses das eleições para a Liga de Bombeiros. Há duas listas na corrida, mas não está posta de parte a possibilidade de surgir uma terceira, em função do documento que vai ser enviado esta tarde aos dirigentes de todo o país. “O que não podemos é continuar sem que nada aconteça”, sublinha um dos subscritores.

Fonte: Observador