19 julho 2017

“Lei da Rolha” ou clara tentativa de “manipulação da informação” por parte da ANPC?

As novas “regras de comunicação” impostas pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) ontem anunciadas e já hoje colocadas em prática mereceram já diversas críticas por parte dos mais diversos quadrantes sociais e políticos.

Todos falam de “Lei da Rolha”, mas será mesmo disso que se trata? Segundo a Adjunta Nacional Patrícia Gaspar, “não foi emitida qualquer proibição” que impeça os comandantes distritais de falar à comunicação social, mas sublinhou que toda a informação sobre incêndios se reduzirá aos briefings nacionais. No meio desta estranha explicação, tudo é justificado com a necessidade “absolutamente fundamental” de os elementos responsáveis pelo comando das operações no terreno estarem focados naquilo que é essencial: a realização das operações de socorro. “Não podemos perder a capacidade de concentração“, sublinhou a Adjunta Nacional.

O Portal Bombeiros.pt esteve atento, nos últimos dias, aos vários incêndios que ocorreram no país e à comunicação sobre os mesmos incêndios que foi sendo dada pela ANPC.
“Lei da Rolha”

Não existirá, segundo a ANPC, uma intenção de impor a “Lei da Rolha” aos comandos distritais, nem silenciar a informação, segundo o que foi dito hoje por Patrícia Gaspar, pois existirão no Comando Nacional (CNOS), tanto ao nível operacional como do gabinete de comunicação, agentes que fornecerão informações à Comunicação Social a toda a hora. Sabemos, portanto, que a informação será filtrada pelo CNOS e depois disponibilizada (na totalidade?) a quem a solicite. O que todos sabemos é que existe um claro desconforto por parte do CNOS e da direcção da ANPC, e dos vários comandantes distritais, em relação às críticas feitas à substituição de anteriores elementos e à nomeação de novos Comandantes Distritais. Será esta “Lei da Rolha” uma tentativa de desviar o “foco” destes “novos elementos” numa altura em que o número de incêndios e o necessário aparecimento destes operacionais seria uma obrigatoriedade?

“Manipulação”

Já na questão da “manipulação da informação” há factos que são inquestionáveis. A começar pela ausência de informação no sítio da ANPC. Temos acesso às ocorrências, com os homens, as viaturas e os meios aéreos. Nada mais. Consultado o sítio, já na manhã de hoje (às 9h18m), em busca de informações sobre “Ocorrências Importantes” a informação apresentada é a da imagem (clicar para aumentar):


A mensagem espelha alguma estranheza, pois diz “Temporariamente indisponível para manutenção“. Esta expressão pode ser lida como “Página Indisponível, devido a trabalhos de manutenção”, mas aponta também para outra leitura “No momento não estamos disponíveis para fazer a manutenção”. De qualquer forma, pelas 11h33m, a página dedicada às “Ocorrências Importantes” já parece estar com a “manutenção” efectuada:


Ontem, durante o período da noite, enquanto que na página da autoridade não existia qualquer tipo de informação específica sobre as operações e a mobilização de meios para o combate aos incêndios no distrito da Guarda, aparecendo sempre a informação generalista e pouco pormenorizada, uma das páginas que reúne informação sobre incêndios e a disponibiliza ao minuto (o sítio Fogos.pt) apresentava a seguinte informação acerca do Incêndio do Rochoso (Guarda):


Esta informação, tal como a sinalização do incêndio, desapareceu passadas horas e hoje de manhã (às 9h21m) as informações no sítio da ANPC e no sítio Fogos.pt eram as seguintes:


Há, portanto, uma clara “estranheza” no tratamento da informação e na sua disponibilização por parte da ANPC por estes dias, evidenciando-se uma tentativa de não dizer mais do que aquilo que é necessário. Da nossa parte, comunicação social, há uma total atenção a este fenómeno “novo” na ANPC, que parece estar a militarizar a passagem da informação. Será esta uma tentativa de homogeneizar comportamentos e falar a uma só voz (como já faz a GNR, por exemplo) ou “a” tentativa de esconder erros e discordâncias?



O Portal Bombeiros.pt continua atento às informações que vão sendo disponibilizadas pela ANPC, deixando no ar uma questão que parece ganhar espaço: É desta vez que os Bombeiros Voluntários perdem por completo a voz

Fonte: Bombeiros.pt