19 agosto 2016

S. Pedro do Sul: PSD critica presidente da Câmara sobre incêndio que devastou o concelho

Os Deputados do PSD do distrito de Viseu, na Assembleia da República, e a Comissão Política do PSD de São Pedro do Sul, face ao terror que se viveu nos últimos dias no concelho, visitaram hoje, acompanhados pelos presidentes de Junta de freguesia, a área ardida do concelho, numa extensão aproximada de 17.000 ha. Trata-se da maior área florestal ardida desde sempre no concelho de São Pedro do Sul, incluindo diversas habitações, instalações, máquinas e alfaias agrícolas e, ainda múltiplas pastagens de animais.

A primeira palavra é de “total solidariedade com as populações de São Pedro do Sul, que perderam muitos dos seus bens e sofreram momentos de grande preocupação e tristeza pela tragédia ocorrida”.

A segunda palavra de solidariedade vai para “os nossos bombeiros, escuteiros de vários agrupamentos e população em geral, pelo esforço e empenho que tiveram no combate e no apoio diverso a estas imensas chamas”.

Os sociais-democratas lembram que durante o incêndio, assistiu-se a dezenas de intervenções públicas do Presidente da Câmara, Vítor Figueiredo, nas rádios, televisões e jornais, “saltando de aldeia em aldeia, justificando-se sobre o que estava a acontecer, ao ponto do Sr. Primeiro Ministro ter decidido abrir um inquérito sobre este incêndio florestal”.

“Na visita de hoje, depois de ouvirmos e contactarmos com as populações, entidades locais e regionais, constatámos que há uma perspectiva partilhada por todos – houve condições para apagar o incêndio quando este chegou ao concelho de S. Pedro do Sul, e isso não aconteceu”, referem.

Os sociais-democratas adiantam “a autoridade máxima de proteção civil no concelho é o Sr. Presidente de Câmara, e que lhe fica muito mal culpar os outros agentes de Proteção Civil, quando a responsabilidade é sua, pois tinha conhecimento de todas as informações das autoridades regionais e nacionais sobre o desenvolvimento que o incêndio de Arouca tomava, e sobre o seu avanço para o concelho de S. Pedro do Sul”.

Os sociais-democratas consideram ser pertinente fazer algumas perguntas sobre o que aconteceu:

“Primeira pergunta: Por que razão o Sr. Presidente da Câmara não convocou uma reunião de emergência da comissão municipal da defesa da floresta, no sentido de planear atempadamente a estratégia de combate ao referido incêndio?

A resposta parece-nos óbvia – Só por incompetência é que esta reunião não existiu, a qual incluía os agentes de proteção civil como GNR, Juntas de Freguesia, Bombeiros, Sapadores florestais, ICNF, militares, etc e, dessa forma e com a antecedência devida teria sido possível anular o incêndio atempadamente.

Segunda pergunta: Por que razão o Sr. Presidente da Câmara não envolveu as técnicas do município ligadas ao GTF, no desenvolvimento e acompanhamento do incêndio, uma vez que as mesmas são especializadas e conhecedoras da realidade florestal, dos equipamentos, infraestruturas e dos agentes de segurança?

É inexplicável este comportamento de falta de confiança, responsabilidade e consideração para com estas profissionais que tão bom trabalho têm desenvolvido.

Terceira pergunta: Qual o motivo por que não assumiu a Câmara a responsabilidade, como era sua obrigação, da confecção (na cantina do Centro Escolar) e distribuição das refeições aos bombeiros, libertando estes para as operações inerentes ao combate?

Também aqui não se percebe esta desconsideração e fuga às responsabilidades numa matéria de extrema importância, que garante as melhores condições físicas e de operacionalidade aos bombeiros.

Quarta pergunta: Por que razão o Sr. Presidente da Câmara não accionou o plano municipal de emergência quando a situação era incontrolável e havia necessidade de reforços de meios exteriores ao concelho?

Neste caso, a justificação, uma vez mais, é de incompetência e falta de sensibilidade para perceber que quando vidas humanas, habitações, múltiplas pastagens de animais e outros bens estão em causa, não se deve olhar a meios nem a custos para as salvaguardar.

No que diz respeito ao futuro, é determinante que a Câmara Municipal se empenhe e envolva as juntas de freguesia para garantir, por parte do governo, todos os meios financeiros e logísticos no sentido de minimizar os graves prejuízos que as populações tiveram e garanta em simultâneo a reposição de infraestruturas danificadas, a protecção do solo e o ordenamento florestal eficaz.

Em conclusão, afirmamos que, esta tragédia aconteceu por negligência do Presidente de Câmara, e estamos extremamente preocupados com situação daí resultante que virá a ter consequências futuras na vida económica, turística e social do concelho.


Pela nossa parte tudo faremos para ajudar e exigir que este território e as suas populações tenham os apoios necessários e merecidos por parte das entidades competentes.”

Fonte: Viseu Mais