15 agosto 2016

S. PEDRO DO SUL - INCÊNDIOS PARTE I

AS CHAMAS DO NOSSO DESCONTENTAMENTO..

Foto: Victor Pires


Os incêndios florestais não se extinguem… ADIAM-SE…
E quando no mesmo local que ardeu, anos depois se desenvolver novo incêndio florestal, ele será sempre mais intenso e mais devastador que o anterior…

Todos sabemos que é durante os meses de verão, o período mais propício ao desenvolvimento de grandes incêndios. E a floresta arde porque existe e… porque lhe deitam o fogo. É que o número de incêndios por causas alheias à população é de apenas 1%.
O combate é a ultima forma de acção contra os incêndios florestais e essa responsabilidade cabe ao sistema de protecção civil e ao seu agente mais disponível… os Bombeiros.

Combate alicerçado no querer, na força de vontade, na determinação e na confiança, de todos os operacionais agentes de protecção civil, envolvidos nas acções no terreno, que têm possibilitado, nos últimos anos, criar as condições de trabalho em que se consegue a mudança, consciente e participada, no sentido da melhoria da gestão das emergências e da eficácia do socorro, sempre ao serviço incondicional da comunidade.

No entanto e apesar do esforço, do querer e do saber, quando as coisas correm menos bem, quando tudo e todos a montante falharam, é aos operacionais dos agentes de protecção civil, principalmente dos Bombeiros que se exige que estejam em todo o lado, em simultâneo… é principalmente dos Bombeiros que se espera… um milagre…

Porque quando algo corre bem… ou passa despercebido… ou apressam-se vozes a apregoar a sua paternidade. E raramente essas vozes são identificadas com os operacionais, os que combatem, numa luta muitas vezes desigual, na frente do incêndio… mais ou menos cansados… com mais ou menos fome… com mais ou menos sede… com mais ou menos problemas pessoais, familiares ou profissionais… dando a Cara… o Corpo… a Vida…

Estes são os verdadeiros operacionais, os que estão realmente empenhados em apagar as chamas e não a insuflar os seus apetites pessoais, com vozes que acabam por ser… As Chamas Do Nosso Descontentamento…

Peçam aos operacionais o possível… Peçam-lhes o impossível… Mas não lhes peçam Milagres porque não os sabem fazer… 
Façamos uma rápida reflexão ao passado… trabalhemos árdua, leal e desinteressadamente no presente… e apliquemos esse esforço, como investimento decisivo e vital no nosso futuro…

Deste modo todos contribuiremos de forma decisiva, sem romantismos e unicamente com o sentido da realidade, para o reforço da credibilidade do sistema de protecção civil, com a consciência e o gosto do dever cumprido.

Agosto 2016

Autor: Paulo Gil Martins