16 agosto 2016

Prevenção de Fogos: "Temos que passar da lógica municipal para a intermunicipal"

Depois da última grande vaga de incêndios, em 2013, o Parlamento aprovou por unanimidade um conjunto de recomendações ao governo.

"Praticamente todas as recomendações que foram feitas no capitulo do combate foram adotadas, as que diziam respeito à prevenção ficaram no papel", constatou no Jornal 2 o relator do documento.
Miguel Freitas é perentório: "Temos que passar da lógica municipal para a intermunicipal no planeamento e prevenção".

O texto, de 2014, foi praticamente ignorado até hoje. Doze deputados de todas as bancadas parlamentares da Assembleia da República estudaram, estiveram no terreno e falaram, quer com Proteção civil, quer com especialistas.

A atual Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto, participou neste relatório onde também se pedia uma maior investigação das causas dos incêndios.

No Jornal 2 o relator deste trabalho lembra que se reforçaram os meios financeiros para o combate e a prevenção mas que se assistiu na ultima década a um enorme desinvestimento a montante na Floresta.

"no norte e centro do país esse desinvestimento chegou aos 90%. Entre 2003 e 2006 houve intervenção em quase 50 mil hectares. Desde então em apenas 3500 hectares". Miguel Freitas lembra que "quando não se investe na floresta todo o esforço que é feito ao nível da prevenção (que não tem efeitos imediatos) faz com que tenhamos que concentrar aquilo que é o nosso investimento em combate".

De entre as recomendações feitas a concentração em apenas uma entidade da coordenação operacional quer da prevenção quer do combate. O grupo de trabalho advogava também que os bombeiros descansassem depois de 6 horas na frente de fogo. Era proposta a concretização de um alvará florestal e a criação de incentivos fiscais para a gestão da floresta. Nenhuma das medidas foi adotada.

O reforço das 200 equipas de sapadores florestais existentes no país é das poucas medidas que teve eco no atual programa de governo. O atual ministro da agricultura vai duplicar esse número no horizonte da legislatura. As primeiras 20 novas equipas devem estar no terreno até ao final do corrente ano. 

Fonte: RTP