15 agosto 2016

Opinião: As respostas de que precisamos

O País arde e o drama repete-se, ano após ano. É verdade que, como diz Rui Moreira, Portugal é o que é e os portugueses são o que são. Mas não podemos ficar por aqui! Há perguntas que os portugueses merecem ver respondidas, tão cedo quanto possível. Caso contrário, como é possível que, em maio, um dos principais rostos da proteção civil afirme categoricamente que, relativamente aos meios de combate a incêndios, os portugueses podem dormir descansados e três meses depois estejamos envolvidos neste inferno de chamas? São muitos os comentários e as críticas que têm surgido sobre as causas deste repetido drama em território português, desde a inépcia dos políticos às anormais condições meteorológicas. Há, no entanto, um conjunto de questões que é urgente ver respondidas:

-É ou não verdade que temos vários Kamov parados por questões mecânicas e burocráticas, nomeadamente de certificação?

- É ou não verdade que o relatório de especialistas a propor um novo modelo de intervenção da Força Aérea no combate a grandes fogos florestais foi deixado na gaveta?

- Por que razão o mecanismo de ajuda europeu continua a ser completamente insignificante em momentos de grande aflição?

- Quem são os beneficiários do tal ‘negócio do fogo’ a que se referiu o secretário de Estado da Administração Interna?

Este é o momento em que os portugueses têm de afirmar a sua cultura democrática. Não podemos esquecer tudo o que ocorreu mal comecem as primeiras chuvas ou regressem as polémicas da I Liga de futebol. Temos de exigir responsabilidades aos políticos e a todas as estruturas públicas, nomeadamente aos tribunais. Não podemos esquecer que, afinal, trata-se também de uma questão de justiça. Cabe na cabeça de alguém que um juiz de instrução deixe sair em liberdade um presumível incendiário em pleno agosto? Ou que circulem por aí, no pico do verão, vários indivíduos com diversas condenações, com pena suspensa, por crime de incêndio e fogo posto?

Devemos exigir respostas. Democracia também é isso!

André Ventura
Correio da Manhã