15 agosto 2016

O que se passou de errado no combate ao fogo em S. Pedro do Sul? MAI vai investigar



Primeiro-ministro diz ter recebido “queixa fundamentada” de presidente da câmara sobre mobilização dos meios de resposta a incêndio

O primeiro-ministro, António Costa, revelou que o Ministério da Administração Interna abriu um inquérito para apurar o que se passou de errado no combate ao fogo em S. Pedro do Sul.

Em Arouca, onde esteve reunido com vários presidentes de câmara dos concelhos afectados pelas chamas, o chefe do Governo disse só ter registado, até agora, uma “queixa fundamentada e sustentada sobre algo que necessita de inquérito” nos combate aos fogos deste Verão: a mobilização dos meios de resposta no início daquele incêndio, que ainda não se encontra extinto, apesar de lavrar há vários dias.

António Costa explicou que o problema foi suscitado pelo presidente da Câmara de S. Pedro do Sul, Vítor Figueiredo, com quem também esteve reunido em Arouca, e que foi na sequência dessa queixa que “o Ministério da Administração Interna levantou um inquérito” sobre o que terá corrido mal.

Entretanto, o presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, estimou em mais de 120 milhões de euros os prejuízos directos do incêndio que fustigou aquele concelho do distrito de Aveiro na última semana, e que alastrou depois a S. Pedro do Sul. A maior parte deste valor, mais de 117 milhões, tem a ver com os prejuízos nas actividades ligadas à fileira florestal, com 12 mil hectares de eucalipto e cinco mil de pinheiro que arderam e os custos em novas plantações.

"Cinquenta e oito por cento da nossa floresta ficou destruída e isso acarreta um prejuízo imenso, ainda por cima com a agravante de que as celuloses não estão a receber madeira queimada", disse o autarca, citado pela agência Lusa, adiantando que a floresta é um dos pilares da economia do município. O presidente da Câmara referiu ainda que 1185 cabeças de gado não vão ter onde pastar nos próximos sete meses, porque quase toda a área de pastoreio na serra ardeu.

"Cinquenta e sete famílias que estão dependentes do pastoreio dos animais não têm agora que dar de comer aos animais", lamentou o autarca, referindo que se não tiverem apoio terão de vender os animais e abandonar as aldeias da serra. José Artur Neves destacou ainda os prejuízos no sector do turismo, estimando em 4,5 milhões de euros os custos para a economia local até ao final do ano – valor que inclui o investimento necessário para recuperar os cerca de 600 metros dos Passadiços do Paiva que arderam, uma das principais atracções turísticas do concelho.

"O que aconteceu tem reflexos muito negativos na imagem do próprio território que é Geopark mundial da Unesco", afirmou o autarca, adiantando que será necessário recuperar 89% da Rede Natura de Arouca, que foi dizimada, incluindo flora e vegetação autóctones seculares, que desapareceram.

O primeiro-ministro admitiu que a legislação comunitária não dará cobertura a alguns destes prejuízos, tendo adiantado que estão a ser activadas pelo Governo linhas de apoio à reposição das capacidades de produção agrícola. “Também está a ser feito um levantamento para apurar o que será preciso mobilizar no âmbito do fundo de emergência do Ministério da Administração Interna”, adiantou.

Fonte: Público