11 agosto 2016

Balanço provisório na Madeira aponta para prejuízos de 55 milhões de euros

Situação está mais calma na Madeira. No Funchal, onde já não há incêndios, fazem-se as contas aos prejuízos. António Costa chegou esta quinta-feira à tarde para se reunir com o executivo madeirense.

Com a cidade a regressar lentamente à calma (possível), depois de três dias de incêndios, é tempo de contabilizar a tragédia que se abateu sobre a Madeira, em especial no Funchal.

Ao início da tarde desta quinta-feira, o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo, avançou com 55 milhões de euros de prejuízos, em resultado das mais de duas centenas de edifícios atingidos – metade dos quais ficou irremediavelmente perdida.

Neste balanço, ainda provisório, porque falta fazer o levantamento de uma freguesia, entram os gastos com os meios de combate às chamas, que desde segunda-feira à tarde atingiram a capital madeirense.

As chamas provocaram três vítimas mortais, dois feridos graves, mais de 200 feridos ligeiros, que acorreram ao sobrelotado hospital central madeirense, devido a pequenas quedas, problemas respiratórios e oculares. Mais de mil pessoas foram deslocadas, incluindo turistas e internados de dois outros hospitais regionais.

Na quarta-feira à noite, a secretária regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais, Rubina Leal, falava da tarefa “gigantesca” que foi evacuar os doentes dos hospitais e de três lares de idosos. “É preciso realçar este aspecto. Todo este trabalho não seria possível, não teria corrido de forma tão controlada, não fosse a ajuda de todos”, disse aos jornalistas. Os deslocados foram distribuídos por um quartel do Exército, onde foi montado um hospital de campanha, e uma escola, enquanto os turistas foram levados para o Estádio do Marítimo.

Durante a manhã, e já com as temperaturas mais baixas e o vento mais calmo, os bombeiros extinguiram o último foco de incêndio que atingia uma das zonas altas da cidade e que esteve activo durante toda a noite. Agora, as preocupações e os meios estão a oeste do Funchal, no concelho da Calheta, onde um incêndio andou pelo mato e floresta, junto do casario disperso, durante a madrugada. As chamas ameaçaram várias residências e um engenho que guardava mais de 200 mil litros de álcool e estavam, de acordo com as últimas informações, já circunscritas.

Um incêndio na Calheta concentrou as atenções na manhã e início de tarde desta quinta-feira.

Os próximos dias prometem ser mais calmos. A temperatura deverá continuar a diminuir e as previsões apontam para um aumento da humidade e redução da velocidade do vento. A população, porém, desconfia. Procura responsáveis políticos, não acredita que os meios aéreos não servissem para, pelo menos, mitigar uma tragédia que chegou onde nunca tinha antes chegado: ao coração da cidade.


As autoridades falam de um fenómeno anormal. Temperaturas elevadas a rondar os 38 graus, ventos a soprar a 100 à hora e uma humidade próxima dos 10%. Para o executivo madeirense, essas circuntâncias foram responsáveis pelo descontrolo que se viveu durante a terça e quarta-feira. Essas circuntâncias e as mãos criminosas de alguns. A Polícia Judiciária deteve, já na segunda-feira, um jovem de 23 anos, com antecedentes criminais pelo crime de fogo florestal. É suspeito de ter começado o fogo em São Roque, que originou a tempestade de fogo dos dias seguintes. Quarta-feira, justificando com o perigo de reincidência e o possível alarme social, a juíza Susana Mão de Ferro decretou a sua prisão preventiva, após o primeiro interrogatório judicial.



A imprensa local fala de outros quatro suspeitos identificados. A fonte é o presidente do governo insular, Miguel Albuquerque, que, aos jornalistas, avançou com a notícia, que a Judiciária ainda não confirmou.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, passou quarta-feira pela Madeira. Distribuiu “solidariedade”, animou-se com a “coragem” e “força de vontade” que encontrou e promete voltar no final do mês, para ver os trabalhos de recuperação.

António Costa aterrou na tarde desta quinta-feira na Madeira. O primeiro-ministro vai visitar as áreas mais afectadas e reunir-se com o executivo madeirense. Marcelo, na véspera, pediu acção a Costa. “A minha visita é de solidariedade, a do senhor primeiro-ministro tem de ser executiva.”

Do encontro sairão valores do apoio que a Madeira irá receber para a reconstrução. A bolsa de onde sairá o dinheiro não é ainda certa – de Lisboa ou de Bruxelas. O importante, disse o chefe de Estado, é começar a reconstruir.

Fonte: Público