15 janeiro 2015

Familiares dos pescadores naufragados partiram "com fé" para o local do acidente

Os familiares dos pescadores da embarcação "Santa Maria dos Anjos", que hoje naufragou ao largo da praia da Maçãs, Sintra, partiram esta tarde para o local do acidente.

Apesar de muito abalados, os familiares, que viajam acompanhados pela presidente da Câmara de Vila do Conde, Elisa Ferraz, e pela vereadora da Câmara da Póvoa de Varzim Lucinda Delgado, mantêm a esperança de que os pescadores ainda podem ser resgatados com vida.
"Temos muita fé, já houve situações destas, com pescadores das Caxinas, que estiveram desaparecidos três dias e acabaram por ser encontrados vivos numa balsa", disse Sandra Silva, irmã do mestre da embarcação, Manuel Silva, que ainda se encontra desaparecido.
Dos cinco pescadores que ainda não foram localizados, três são naturais da Póvoa de Varzim, um de Vila do Conde e um outro é o cidadão ucraniano, todos residentes nas Caxinas, uma localidade entres duas cidades que alberga uma das maiores comunidades piscatórias do país.
Nas ruas de Caxinas, a fé dos residentes não era tão grande como a dos familiares, mas nesta comunidade, tão afetada pelas tragédias marítimas, a "fé é sempre a última morrer".
"Se um dos pescadores conseguiu nadar até à costa é porque o barco não estria muito afastado de terra, e é estranho ainda não terem encontrado ninguém com vida. Mas a fé é a última morrer, temos de ter esperança", contou António Agra, pescador reformado.
Júlio Neiva, também reformado da pesca do bacalhau, lembrou que "os pescadores da Caxinas são gente de fibra, já passaram por muito, e com ajuda de Deus ainda os vão encontrar com vida".
A embarcação "Santa Maria dos Anjos" tinha saído de Peniche na noite de terça-feira e dirigia-se para Cascais, para a pesca do linguado, com seis pessoas a bordo, naufragando cerca das 03:00 de hoje junto à Praia das Maçãs.
Dos seis pescadores, apenas um conseguiu nadar até à praia, dando o alerta, estando os restantes estão desaparecidos.
As autoridades continuam no local em missão de resgate com a Corveta Batista de Andrade, da Marinha, um EH-101 da Força Aérea Portuguesa e duas embarcações das estações salva-vidas de Cascais e Ericeira.
RTP