30 dezembro 2014

Correr a S. silvestre sempre a bater o pé

Saíram fardados, rumaram aos Aliados e correram em marcha acelerada, a arrastar atletas em busca de ritmo certo para chegar à meta: com eles, a S. Silvestre fez-se a cantar em uma hora e sete minutos.
“Ó Laurinda! Ó Laurinda! Vou pedir a tua mão!” A cantilena é habitualmente a de um bombeiro sapador a sair para o fogo, quiçá para distrair a alma com amor perante o inferno, mas anteontem foi a do compasso das dezenas de pessoas que preferiram deixar-se ficar para trás na 21ª S. Silvestre do Porto. Porque “a Laurinda” é um espécie de hino de caserna dos Sapadores do Porto. E porque eles foram, em pelotão, mostrar-se à cidade.
Foram 36 elementos, fardados, a correr com botas que, juntas, podem chegar ao quilo, a fazer batimento do pé esquerdo ao longo de 10 km de aplausos e diversão. “Já é a segunda vez que fazemos a S. Silvestre. No passado éramos cerca de 25”, contou ao JN o subchefe Pedro Baptista, um dos que, sem querer, arrastaram muito atleta até ao objetivo final. Porque correr atrás de homens em marcha acelerada, em formação irrepreensível, em ritmo absolutamente constante e ainda por cima a cantar é a melhor forma de conquistar uma meta nem sempre fácil. E a S. Silvestre do Porto, com todo o desnível que a cidade oferece, não é seguramente uma prova simples.
“É uma forma diferente de nos mostrarmos um bocadinho à cidade, de mostrar que o Porto tem bombeiros fisicamente bem preparados”. Ser Sapador é também fazer uma hora diária de educação física: “Faz parte da nossa atividade profissional e a maior parte do Batalhão tem por hábito fazer exercício físico fora das horas de serviço”, diz Pedro Batista. Sim, já cruzaram muitos destes homens à civil, que é como quem diz de licra e cores fluorescentes nas provas por esse país fora. Aliás, uma dezena deles correram domingo fora do pelotão de sapadores.
Mas Pedro Batista garante que a experiência da S. Silvestre é das que “ficam registadas” na alma de bombeiro. Há imensas palmas à passagem do estandarte, gritos de parabéns e, vejam lá, “os normais piropos à vista de fardas”…
Ivete Carneiro
(Foto de capa: Atletismo/Facebook
(Foto de artigo: Sapadores)