12 dezembro 2014

Acusados dos incêndios do Caramulo condenados a 18 e 12 anos de prisão

Os dois acusados dos incêndios florestais do Caramulo que ocorreram em agosto de 2013 foram hoje condenados a 18 e 12 anos de prisão.

Luís Patrick (29 anos) e Fernando Marinho (21), os dois acusados da autoria dos incêndios florestais ocorridos no verão do ano passado na Serra do Caramulo, onde morreram quatro bombeiros, foram condenados a 18 e 12 anos de prisão, respetivamente.
Ambos foram condenados por crime de incêndio florestal agravado, que provocou uma das mortes, por três crimes de homicídio por negligência grosseira e ainda por oito crimes por ofensa à integridade física por negligência, pelos ferimentos provocados aos bombeiros voluntários.
Segundo o Jornal de Notícias, o juiz Carlos Oliveira explicou que os arguidos não podiam ser condenados pelos crimes de homicídio qualificado - como pretendia o Ministério Público -, pois não ficou provado que atearam os fogos no Caramulo com a intenção de matar ou ferir os bombeiros.
Luís Patrick, que durante o julgamento disse nada ter a ver com os incêndios, foi condenado na pena única de 18 anos de prisão e Fernando Marinho, que contou ter sido o amigo a atear os incêndios de Alcofra e de Meruge e ele o de Silvares, teve uma condenação a 12 anos.
Os dois estavam acusados, em coautoria, de um crime de incêndio florestal, de quatro de homicídio qualificado e de 13 de ofensa à integridade física qualificada, mas a qualificação foi alterada, por não ter ficado provado que tenham agido dolosamente.
O juiz presidente, Carlos Oliveira, explicou que Fernando Marinho tinha apenas 20 anos quando ocorreram os factos, tendo, por isso, beneficiado de um regime especial para jovens delinquentes e também por ser a sua primeira condenação.
Em seu benefício pesou ainda o facto de ter mostrado "sincero arrependimento" e de ter colaborado em todo o processo, o que atenuou "o desvalor de personalidade" que demonstrou ao cometer os crimes.
O arguido Luís Patrick teve em seu desfavor vários antecedentes criminais, assim como "o elevadíssimo desvalor da personalidade", quer durante os crimes, quer posteriormente, não assumindo a sua responsabilidade.
O juiz Carlos Oliveira aludiu à frieza, à indiferença e à "total ausência de sentimento perante as consequências dos seus atos" [de Luis Patrick], não revelou qualquer arrependimento, tendo apenas como intenção "escapar à sua responsabilidade".
Em declarações aos jornalistas, o advogado de Fernando Marinho, João Carlos Lages, considerou que a pena refletiu o arrependimento do seu cliente, mas que irá "analisar com calma o acórdão" e ponderar sobre a hipótese de apresentar recurso.

Fonte: DN