08 outubro 2014

Incendiário do Caramulo gostou de ver tudo a arder

FOTO: Nuno André Ferreira
Fernando Marinho, jovem de 21 anos que é um dos dois acusados de terem ateado incêndios na serra do Caramulo, onde em agosto de 2013 morreram quatro bombeiros, confessou ontem os crimes no Tribunal de Vouzela, garantindo que o que está na acusação "é verdade". O outro, Patrick Teixeira, 29 anos, negou as acusações e disse "ser tudo falso".

A evidente contradição entre os dois arguidos, que à data dos factos "eram amigos", marcou o início de um julgamento que poderá resultar numa condenação inédita em Portugal, já que os suspeitos também estão acusados de quatro crimes de homicídio qualificado – resultante da morte dos quatro bombeiros – e de 13 de ofensas à integridade física – o número de feridos. Ontem, ao tribunal de júri – constituído por três juízes, quatro jurados mais quatro suplentes –, Fernando contou ao pormenor como atearam os incêndios, afirmando que "foi incentivado" por Patrick: "A ele só lhe apetecia chegar o fogo.E disse-me que eu não era homem nem nada se não incendiasse a mata. Fiz seis fogueirinhas".

Confessou ter "gostado de ver tudo a arder" mas diz que depois se arrependeu. "Arrependi-me e só me apetecia morrer. Quando os guardas foram a minha casa confessei tudo", disse o arguido.

Postura diferente teve Patrick. Garante que à hora em que começaram os incêndios "estava com uma amiga na praia fluvial" e que naquele dia apenas esteve com Fernando "até às oito horas da noite". Soube que era suspeito "quando estava a viajar para o Luxemburgo", disse.

O advogado de Patrick requereu a reconstituição dos factos da acusação, diligência que se vai realizar para a semana. Ontem foi ouvido o pai de Ana Rita, bombeira morta: "espero que se faça justiça, senão há mãos para a fazer", desabafou no final.