08 outubro 2014

Bombeiros dos Açores começaram a cobrar transporte não urgente de utentes

As corporações de bombeiros dos Açores estão a cobrar o transporte não urgente de utentes desde setembro, sendo que a maioria cobra dez euros por taxa de saída e sessenta cêntimos por quilómetro percorrido

Apenas os bombeiros das ilhas das Flores e São Jorge não estão a cobrar o serviço por não terem ainda chegado a um acordo com as unidades de saúde de ilha acerca do valor.

O comandante dos Bombeiros Voluntários da Calheta adiantou não existir ainda um entendimento entre os valores propostos pela unidade de saúde de ilha e as duas corporações de bombeiros de São Jorge (Velas e Calheta).

"Temos de chegar aqui a um acordo em que o valor seja apropriado ao serviço que se vai prestar. Queremos cobrar o mesmo à unidade de saúde de ilha e aos particulares, não queremos entrar aqui numa discrepância", sublinhou Rui Bettencourt.

Apesar de não haver acordo no papel, "há um acordo de cavalheiros" e o serviço está a ser assegurado a centros de saúde e a particulares a custo zero, acrescentou.

Já na Terceira, segundo o presidente dos bombeiros de Angra do Heroísmo, as propostas inicialmente apresentadas pelas duas corporações daquela ilha (Angra do Heroísmo e Praia da Vitória) não foram aceites e tiveram de ser retificadas por imposição do hospital local.

"Tínhamos proposto 15 euros das nove da manhã às nove da noite e vinte euros das nove da noite às nove da manhã. O hospital disse-nos que só poderia aceitar dez euros de taxa de saída e sessenta cêntimos por quilómetro. No entanto, decidimos que às pessoas que têm carências financeiras comprovadas é claro que não vamos levar dinheiro nenhum", disse Álvaro Carepa, revelando que em Angra do Heroísmo são feitos cerca de cinco transportes não urgente de doentes por semana.

À exceção da ilha das Flores e de São Jorge, onde não estão ainda definidos os valores, as restantes ilhas estão a aplicar aos centros de saúde, hospitais e particulares dez euros de taxa de saída e sessenta cêntimos por quilómetro percorrido, segundo uma ronda feita pela agência Lusa junto das diversas corporações do arquipélago.

O transporte não urgente de doentes é cobrado às unidades de saúde quando são estas a solicitar o serviço ou aos particulares, quando são os próprios doentes que diretamente contactam os bombeiros com esse objetivo.

Os bombeiros poderam começar a cobrar pelo serviço na sequência de um regulamento do transporte terrestre de doentes nos Açores elaborado pelo Governo Regional, que entrou em vigor no final de agosto.

Entre outros objetivos, esse regulamento visa "garantir o devido financiamento" aos bombeiros, segundo disse o secretário regional da Saúde, Luís Cabral, no início de agosto.
 
 
Fonte: Açoriano Oriental