27 setembro 2014

INEM garante atuação "mais adequada" agora do que aquando da morte de maestro

O INEM garantiu hoje que a atuação dos Centros de Orientação dos Doentes Urgentes (CODU) é hoje "significativamente mais adequada a uma efetiva triagem das ocorrências" do que a que existia aquando do socorro do maestro Fernando Correia Martins.

O INEM reagia, desta forma, à condenação da médica Helena Andrade a oito meses de prisão, com pena suspensa, pelo homicídio negligente na morte do maestro Fernando Correia Martins.
Os restantes dois arguidos -- operadores do INEM -- foram condenados a penas de multa pelo mesmo crime.
Na acusação levada a julgamento, o Ministério Público deu como provado que a morte do maestro, ocorrida em 2009, se ficou a dever à falta de auxílio médico adequado, após a sua mulher, Olívia, ter feito vários telefonemas para o 112 a pedir auxílio e transporte do INEM, tendo os operadores dito para chamarem os bombeiros.
Numa nota enviada à comunicação social, o INEM refere que, desde 2009 - ano em que sucedeu o caso em questão - a forma de funcionamento dos CODU foi "substancialmente alterada, passando-se de uma triagem baseada na experiência individual e critério discricionário de cada um dos operadores, para um sistema de triagem com base em algoritmos de decisão médica, que são utilizados de forma idêntica em todas as ocorrências, independentemente do operador que faz o atendimento da chamada".
"O INEM está convicto que a forma de atuação dos seus CODU é hoje significativamente mais adequada a uma efetiva triagem das ocorrências, merecendo de forma inequívoca a confiança dos cidadãos que necessitem de recorrer a este serviço" do Instituto.
Na nota, o INEM começa por sublinhar que, "mesmo não sendo possível concluir que se a ambulância tivesse sido enviada prontamente teria evitado a morte em causa, a vida humana é para este Instituto um bem de maior valor. Sempre que não se consegue evitar o fim de uma vida, também os profissionais deste serviço denotam sofrimento e angústia por não conseguirem cumprir com sucesso a sua missão".
Aos colaboradores do INEM envolvidos no processo, o Instituto refere que "continuará a contar" com eles, "caso seja essa a sua vontade".
Para este organismo, "seria de grande injustiça julgar toda a atuação diária do INEM e dos seus colaboradores com base num caso mal sucedido, sobre o qual foram tiradas as devidas ilações".
Segundo o INEM, todos os anos os CODU efetuam o atendimento de mais de um milhão de chamadas e, para cada uma destas chamadas, é necessário efetuar a triagem da situação.
"Esta triagem é atualmente feita com base em algoritmos de decisão, que orientam os técnicos dos CODU nas perguntas a colocar a quem está do outro lado da linha telefónica".
Estes algoritmos de decisão, refere o comunicado, "entraram em utilização em 2012 e são validados pela Ordem dos Médicos".

Fonte: RTP