21 agosto 2014

Incêndio no Caramulo foi há um Ano

O maior incêndio do ano passado começou há um ano, na noite de 20 de Agosto, no Caramulo. 

O primeiro alerta seria dado às 23h55. 

O fogo, com vários focos, viria a provocar nos dias seguintes a morte de quatro bombeiros, 13 feridos e prejuízos avaliados em 13,9 milhões de euros. 

Detidos há quase um ano, os dois acusados da autoria do incêndio, Luís Patrick Teixeira, emigrante no Luxemburgo, e Fernando Marinho, aguardam em prisão preventiva a realização do julgamento.

Os dois arguidos foram acusados no final de Fevereiro de um crime de incêndio florestal, quatro crimes de homicídio qualificado e 13 crimes de ofensa à integridade física qualificada.

Fernando Marinho, que confessou ter estado na origem do incêndio e acusou Patrick Teixeira de co-autoria e de ter instigado o crime, está detido desde finais de Agosto. Já o emigrante no Luxemburgo, que sempre negou o crime, ficou em prisão preventiva a 6 de Setembro,dia em que se entregou voluntariamente às autoridades em Portugal.

Ambos vão continuar em prisão preventiva até ao julgamento, a pedido do Ministério Público.

Entre as razões avançadas para que o arguidos continuem detidos, o MP indica "o perigo de continuação de actividade criminosa", sublinhando que, no caso de Patrick Teixeira, o emigrante tem antecedentes criminais no Grão-Ducado.

Patrick Luís, actualmente com 29 anos, foi condenado no Luxemburgo a três meses de prisão por um crime de roubo e ofensa à integridade física, e foi ainda multado por acesso fraudulento à rede de internet sem fio e por várias violações ao Código da Estrada, tendo sido condenado à proibição de conduzir. O MP também considerou que há "perigo de perturbação" da prova, recordando que Luís Patrick terá tentado, "directamente ou através do seu pai", contactar várias testemunhas por telefone, "com vista a que os depoimentos destas afastassem a suspeição" sobre si.

O Ministério Público reitera ainda o perigo de fuga do emigrante, por este "ter residência no estrangeiro", e considera que, caso os dois arguidos aguardassem julgamento em liberdade, a população poderia tentar fazer justiça pelas próprias mãos, face à "elevada revolta e indignação" provocada pelos crimes.

A pedido do Ministério Público, o julgamento será realizado por um tribunal de júri.

Há um ano

Em final de Agosto de 2013, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de Fernando Marinho, um dos suspeitos de ter ateado um incêndio florestal "de grandes dimensões" na serra do Caramulo.

O jovem, de 20 anos, foi detido pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro e Directoria do Centro da PJ, com a colaboração do Núcleo de Proteção Ambiental da GNR de Viseu de Santa Comba Dão.

Fonte da PJ explicou na altura que o jovem agiu "em colaboração com um outro indivíduo, este emigrante", ateando "vários focos de incêndio na Serra do Caramulo, nos concelhos de Vouzela e Tondela, no dia 20 de Agosto, que se transformaram num fogo de grandes dimensões”.

A mesma fonte referiu ainda que Luís Patrick Teixeira terá agido por vingança, depois de lhe ter sido aplicada uma multa pela GNR por conduzir sem carta de condução.

A 1 de Setembro, a indignação popular com os incêndios chegou às redes sociais. No Facebook foi criada uma página para procurar o emigrante português no Luxemburgo suspeito de fogo posto, uma "caça ao homem" que a Polícia grã-ducal anunciou estar a investigar.

A página foi fechada voluntariamente pelos seus administradores horas depois de a Polícia luxemburguesa emitir um alerta avisando os utilizadores do Facebook de que os comentários "que incitam à violência" podiam constituir crime, punido com pena de prisão até um ano.

Dias depois, Patrick Teixeira, na altura com 28 anos, entregou-se voluntariamente às autoridades em Portugal.

Da lista dos grandes incêndios de 2013 fazem parte os fogos que deflagraram na serra do Caramulo que, na zona de Tondela, consumiram 6.841 hectares.