07 agosto 2014

Estudo da UMinho e do Politécnico de Viseu avaliou incêndios em Portugal na última década

Concelhos despovoados e com poucos bombeiros são os mais atingidos pelos fogos




Os fogos florestais provocam maiores danos em concelhos despovoados, com menos bombeiros ao dispor na região e com baixa despesa municipal para o ambiente. A conclusão está numa investigação dos professores Paulo Reis Mourão, da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, e Vítor Martinho, da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu, que avaliaram os incêndios e áreas ardidas nos municípios portugueses em 2000-11.

O trabalho, intitulado “Choices of the fire: debating socioeconomic determinants of the fires observed in portuguese municipalities”, foi publicado na revista “Forest Policy and Economics”. Trata-se de um dos primeiros estudos a avaliar uma grande variedade de factores socioeconómicos neste âmbito.

“Confirmámos que os fogos florestais alastram mais em áreas desertificadas (que se identifica pela sua densidade populacional, actividade bancária local ou número de novas empresas), mas alastram também nas áreas onde escasseiam os operacionais de combate por quilómetro quadrado de actuação imediata, ou seja, os poucos efectivos existentes no respectivo concelho e nos concelhos vizinhos”, nota Paulo Reis Mourão.

Defendida a gestão integrada entre Protecção Civil e populaçãoA investigação propõe o combate aos fogos através de uma gestão integrada entre bombeiros e o voluntarismo dos cidadãos e associações.

“A profissionalização do sector melhorou a remuneração, preparação e selecção de operacionais. Porém, minimizou as virtudes da acção voluntária realizada durante dezenas de anos, com a entrega pronta das pessoas na defesa do património e dos familiares e o seu maior conhecimento da imensidão e variedade do território”, diz o também membro do Núcleo de Investigação em Políticas Económicas (NIPE) da UMinho.

Paulo Reis Mourão realça que a fraca aposta dos municípios na prevenção ambiental é outro critério que potencia danos florestais avultados, como a perda irreparável da vida de bombeiros e civis até aos longos períodos de reflorestação, com a quebra de rendimentos de proprietários afectados e a desvalorização de activos públicos e privados.

O estudo sugere uma melhor gestão das matas a nível infra e supramunicipal, a articulação de proprietários, associações, corporações e Protecção Civil em planos de sustentabilidade ambiental e um quadro legal mais eficaz.

"É difícil controlar o fogo como desejamos, mas devemos aprender com os erros cometidos na gestão, controle e combate a incêndios, para minimizar perdas futuras”, acrescenta Paulo Reis Mourão.

No verão passado morreram nove bombeiros e arderam mais de 140 mil hectares de floresta. A serra do Caramulo foi das mais afectadas. A época de fogos mais crítica começou a 30 de Junho e, desde Janeiro, já se registaram quase 4000 incêndios.

O combate este ano é feito com mais meios e com a maioria dos 9700 bombeiros melhor preparada e mais protegida.