01 agosto 2014

Ébola avança rápido e pode ter consequências "catastróficas"

A diretora da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, afirmou, esta sexta-feira, que a epidemia de Ébola na África Ocidental "avança mais rápido" que a mobilização dos esforços para travá-la, podendo trazer consequências "catastróficas".




"Os atuais efetivos de socorro nacional e internacional são tristemente inadequados", declarou Margaret Chan, depois de uma reunião regional sobre o surto de Ébola, em Conacri, referindo que o encontro "deve marcar uma transformação na luta contra a epidemia".

"Se a situação continuar a deteriorar-se, as consequências podem ser catastróficas em termos de perda de vidas, assim como pode haver perturbações socioeconómicas e um alto risco de propagação para outros países", salientou a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS), que descreveu o surto como sendo, "de longe, o maior de sempre na história de quatro décadas desta doença".

"Está a tomar áreas com movimento populacional fluido em fronteiras mais maleáveis e mostrou uma capacidade de espalhar-se através de viagens aéreas, ao contrário do que se tinha visto em outros surtos", acrescentou, salientando que os casos estão a acontecer não só em áreas rurais de difícil acesso, mas também em capitais densamente povoadas.

"Os governos podem precisar de usar as forças policiais e de defesa civil para garantir a segurança das equipas de resposta. Alguns já o estão a fazer", disse.

Resposta conjuntae comité de emergência

A OMS e os líderes dos países da África Ocidental mais afetados pelo surto de Ébola reuniram-se, em Conacri, para organizar, pela primeira vez, uma resposta conjunta à crise.

O objetivo do plano de emergência, entre a OMS, Guiné-Conacri, Serra Leoa, Libéria é prevenir e detetar casos suspeitos, aperfeiçoar a vigilância nas fronteiras e reforçar o centro de coordenação sub-regional de epidemias da organização da ONU na Guiné-Conacri, bem como coordenar o envio de "várias centenas" de trabalhadores humanitários para o terreno.

Depois de lançar um plano de resposta para conter a propagação do vírus Ébola, Margaret Chan anunciou que convocou um comité de emergência da OMS na próxima quarta-feira para avaliar as implicações internacionais deste surto na África Ocidental.

Este surto de febre hemorrágica causou, após sete meses, 729 mortos - 339 na Guiné Conacri, 233 na Serra Leoa, 156 na Libéria e um na Nigéria -, indica o último balanço da OMS.

Destas 729 mortes registadas pela OMS, 485 são casos confirmados de Ébola.

A OMS anunciou um apoio financeiro de 75 milhões de euros ao plano e Margaret Chan justificou "este aumento dos recursos" pela "amplitude" do surto.

A epidemia, surgida no início do ano, foi declarada primeiro na Guiné-Conacri, antes de se estender à Libéria e depois à Serra Leoa. O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.

A febre manifesta-se através de hemorragias, vómitos e diarreias. A taxa de mortalidade varia entre os 25 e 90% e não é conhecida uma vacina contra a doença.

Esta é a primeira vez que se identifica e se confirma uma epidemia de Ébola na África Ocidental, até agora sempre registadas em países da África Central.

Fonte: JN