07 agosto 2014

Bragança: “O Maior Desafio da Fase Charlie é a Segurança”

Assegurar a protecção das populações garantindo a segurança de quem combate as chamas é a máxima que pauta a intervenção dos Bombeiros Voluntários de Bragança. Em plena fase Charlie, a época mais crítica em termos de incêndios florestais, em entrevista ao Jornal NORDESTE o comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança, José Fernandes, fala das prioridades e das sobre as dificuldades que os bombeiros sentem no terreno.

Jornal Nordeste (JN) - Estamos em plena fase Charlie, a época mais crítica em termos de incêndios florestais, qual é o principal desafio que se coloca nesta altura à corporação de Bragança?

José Fernandes (JF) - O maior desafio da Fase Charlie é a segurança! Segurança dos meus homens, segurança das pessoas e dos seus bens. A missão dos Bombeiros é assegurar o socorro e protecção das populações, e para isso a segurança é fundamental. O combate aos incêndios florestais acarreta riscos acrescidos e é imperativo a inclusão de uma cultura de segurança.

JN - Em termos de equipamentos de protecção individual. Estava prometido material novo que seria adquirido pelas Comunidades Intermunicipais (CIM) que ainda não foi entregue. A falta deste material está a causar constrangimentos no dia-a-dia dos bombeiros de Bragança?

JF- Não. Este corpo de Bombeiros adquiriu, atempadamente, 50 equipamentos de protecção individual para utilização no combate a incêndios florestais. Esse equipamento, é composto por um conjunto de peças adequadas ao combate a incêndios em espaços naturais, nomeadamente capacete, cogula, casaco, calças e botas específicas. São equipamentos fabricados em tecidos ignífugos, que dão mais protecção ao bombeiro contra o calor e as chamas, sendo ainda mais resistentes e confortáveis.Foi para a nossa Associação Humanitária um esforço monetário, embora continuemos a aguardar a chegada dos restantes equipamentos prometidos pela CIM.

JN - O que é que ainda falta à corporação de Bragança em termos operacionais?

JF - Em termos operacionais, no âmbito dos fogos florestais estamos em fase de renovação da frota de veículos.
Ao nível do socorro pré-hospitalar, esta Associação adquiriu duas ambulâncias, uma de socorro, equipada com o que de mais moderno existe actualmente, a título de exemplo, possui suspensão pneumática de modo a melhorar o conforto do doente e da tripulação. Uma outra ambulância de nove lugares, também está equipada de modo a que os utentes sejam transportados em viagens mais longas com total conforto. Estamos ainda a aguardar a abertura de um concurso ao QREN, de modo a que possamos adquirir duas viaturas florestais, uma ligeira e outra pesada, equipadas com todos os requisitos de segurança.

JN - Considera que este Verão está a ser atípico em termos de incêndios na região? Quais são as principais dificuldades com que se deparam os bombeiros no combate aos fogos na região?

JF- Até ao momento estatisticamente não está a ser atípico. Os meses de Maio, Junho e Julho costumam ser meses de pouca actividade no combate aos incêndios florestais na nossa área operacional, pelo que o número de ocorrências e as áreas ardidas também nestes meses são pouco expressivas.
Existem vários factores que determinam as dificuldades no combate a um incêndio florestal, sendo que o principal são as condições meteorológicas severas, nomeadamente a velocidade do vento, baixos níveis de humidade relativa do ar e as temperaturas elevadas aliados aos fortes declives que se verificam na nossa região.
Outros factores que influenciam negativamente o combate aos incêndios são o abandono dos terrenos e algum descuido na limpeza da vegetação que rodeia as habitações e armazéns agrícolas.

JN - Esta é uma época crítica e sabemos que há muitos incêndios que têm início com descuidos da população. Que conselhos deixa às pessoas para facilitarem a vida aos bombeiros?

JF- Um comportamento responsável é a melhor forma de evitar os incêndios florestais, e mais vale prevenir que remediar.
Nos dias mais quentes e com vento e humidades baixas, o risco de incêndio é maior e as pessoas devem aumentar a sua atenção.
Para quem mora em áreas rurais deve limpar o mato à volta de sua habitação, guardar em lugar seguro e isolado, a lenha, o gasóleo e outros produtos inflamáveis, nunca deixar as crianças sozinhas em casa ou fechadas à chave, nem as deixar brincar com fósforos ou isqueiros.
Para quem gosta de passear na floresta aconselho a que não deite fósforos ou cigarros para o chão, não deite pela janela do automóvel cinzas ou pontas de cigarro, leve a refeição preparada e não acenda fogueiras. Em relação a queimadas e foguetes, é proibido realizar-se queimadas e queima de sobrantes nos espaços rurais durante o período crítico, que este ano vigora de 1 de Julho a 30 de Setembro. Em caso de incêndio ligue 112, porque Portugal sem fogos depende de todos e de cada um.


fonte: Jornal Nordeste