19 julho 2014

Rebelo Marinho: Uma Mudança de Rotinas

Vieram os primeiros raios de sol, o calor apertou, os incêndios florestais voltaram, com alguma força, como aconteceu quarta-feira passada, na localidade de Cortiços, em Macedo de Cavaleiros.

Quatro bombeiros ficaram feridos, o que se lamenta profundamente, e cujo restabelecimento  se deseja pronto, rápido e total.

Também uma viatura dos BV de Miranda do Douro foi integralmente consumida pelas chamas, ficando completamente calcinada e irrecuperável.

Imagens tristes, aquelas que as televisões mostraram, de desolação e de destruição de equipamentos e de impotência humana, perante a natureza brava, zangada e incomodada.

Esta circunstância, que, com alguma regularidade se repete, com o aumento das temperaturas e com a recorrente severidade dos incêndios, deve determinar que a tutela se passe a comportar doutra forma, em matéria da reposição integral das viaturas completamente perdidas.

A perda de uma viatura no combate às chamas, sendo uma situação excepcional, deve merecer da tutela, também uma resposta excepcional.

A resposta deve preocupar-se mais com a vertente operacional e menos com a dimensão orçamental.

A reposição de uma viatura não deve seguir os mesmos procedimentos que são adoptados na atribuição, normal, rotineira e prevista, de uma viatura, constante, por exemplo, de um plano de reequipamento, que era excelente fosse recuperado, no âmbito do plano de actividades da tutela.

São coisas diferentes, que exigem abordagens e respostas diferentes.

Já lá vão os tempos dos planos de reequipamento, originalmente designados de PLAREMIS, depois melhorados, porventura nem sempre bem feitos, nem sempre justos, mas que a tutela fazia cumprir, por vezes tarde, mas cumpria.

No caso em apreço de reposição de viaturas acidentadas, a tutela não deve usar verbas do QREN, para garantir a reposição, e restituição, das viaturas perdidas no combate aos incêndios florestais.

A tutela deve cativar, e disponibilizar, verbas do seu próprio orçamento para, de uma forma rápida e imediata, poder responder, prontamente, a situações inesperadas e absolutamente excepcionais, mas que exigem resposta, no momento, de modo a que os CBs não se vejam privados durante muito tempo dos veículos perdidos.

Prontamente, só pode significar repôr no próprio ano, se, tecnicamente, isso for possível.

As Associações não podem esperar um ano, e mais, pela reposição de viaturas destruídas nos incêndios florestais.

Não é justo, não é legítimo, não é defensável.

E é altura de mudar.

E valerá a pena pensar na possibilidade de a tutela, usando, aqui sim, verbas do QREN, poder dispôr de veículos de reserva para acudir a situações desta natureza, que, infelizmente, se vão repetindo.

A tutela deve alterar os seus critérios de reposição, não deve poupar verbas do seu orçamento para repor  viaturas destruídas porque nestas matérias não deve prevalecer a poupança, deve imperar o bom senso e a rapidez de resposta.

Esse é o caminho.

É por aí que a Liga dos Bombeiros Portugueses deve ir, exigente e intransigente, na defesa desta metodologia e na defesa dos interesses dos bombeiros e da sua capacidade de resposta.

Por uma questão de justiça e de bom senso..


Rebelo Marinho
www.zingarelho.com