23 julho 2014

Quartel dos bombeiros do Colombo vai ser demolido

É o quartel mais moderno da cidade de Lisboa. O quartel do Colombo, do Regimento de Sapadores de Bombeiros, foi construído há dez anos. Agora, a Câmara Municipal vai demolir esta infraestrutura para poder vender o respetivo terreno em hasta pública.

É ali que funciona o Siresp, Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal e a central telefónica de socorro da cidade de Lisboa, onde estão elementos da PSP, Cruz Vermelha e Polícia Municipal. "Sempre que ocorre alguma situação é dali que é acionado o plano municipal de emergência", disse ao RTP Online Fernando Curto, o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais.

Ainda segundo Fernando Curto, esta foi uma proposta da autarquia de Lisboa, e o lote seria vendido por 15,9 milhões de euros. “Estamos perplexos. Este quartel foi colocado ali estrategicamente, por isso, antes de ser vendido, tínhamos que ter alternativa de espaço e respostas, caso contrário só se nos tirarem à bastonada”, salienta Fernando Curto, revoltado com a situação.

Há dez anos, quando o quartel do Colombo foi projetado para aquele local, “todas as premissas foram avaliadas. É a zona de Lisboa que, em caso de sismo, resiste melhor do que qualquer outra, está ao lado do maior centro comercial da Península Ibérica e da segunda circular. Eu não posso sair do Colombo e ir para debaixo da ponte”, refere o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais.

“A Câmara de Lisboa tem legitimidade mas em termos operacionais é muito complicado. A cidade cresceu e agora acabam com os quartéis de bombeiros. Até já se diz que o quartel do Rossio e o da Defensor de Chaves vão ter o mesmo destino".
Terreno pode ser para Hospital da Luz, do Grupo Espírito Santo
De acordo com Fernando Curto, apesar de as informações não serem oficiais, a Câmara Municipal de Lisboa alterou o plano de pormenor para que o Hospital da Luz, do Grupo Espírito Santo, pudesse ser ampliado. Aliás, o mesmo dirigente associativo já antes referira ao "Público” que desde 2010 se falava nos planos de expansão do Hospital da Luz como verdadeiro motivo para desactivar o quartel de bombeiros.

A autarquia iniciou há quatro anos a revisão do plano de pormenor daquela zona, que contemplava a viabilização e alargamento do Hospital da Luz, projetado pelo arquiteto Manuel Salgado, atual vereador da área do urbanismo, na Câmara Municipal de Lisboa. "Já em 2010 se falava na hipótese de encerrar o quartel dos bombeiros do Colombo", adiantou o presidente da associação nacional de bombeiros profissionais.

Nesse mesmo ano, a autarquia decidiu alterar o Plano de Pormenor do Eixo Urbano Luz-Benfica. A revisão do plano foi aprovada em abril deste ano pelo executivo municipal, com as abstenções do PSD, do CDS e do PCP.

O Hospital da Luz, a maior unidade privada do país, já em fevereiro deste ano tinha planos para aumentar, em 40 por cento, a área do hospital em Benfica, num investimento de 60 a 70 milhões de euros, disse a presidente da comissão executiva do Grupo Espírito Santo Saúde, naquela altura.

No passado mês de abril, em reunião de câmara, o vereador Manuel Salgado já tinha dito que esta era uma pretensão assumida por parte dos responsáveis do Hospital da Luz, mas que uma eventual venda seria sempre realizada por hasta pública, com a faculdade de os interessados poderem vir a concorrer.

Contactada pela RTP Online, a Câmara Municipal de Lisboa responde, por escrito, que nenhum terreno foi vendido. "Está neste momento na Assembleia Municipal de Lisboa um pedido de autorização para este órgão decidir a aprovação do plano que estabelece os usos possíveis e, nessa sequência, se autoriza a colocação do terreno em hasta pública".

De acordo com  o plano que a Assembleia Municipal de Lisboa tem para decidir, será possível construir no terreno habitação, escritórios, comércio ou equipamentos, não existindo qualquer compromisso com o Hospital da Luz, refere a autarquia em comunicado.Sala de Operações Comuns do quartel do Colombo vai para Monsanto
A decisão de vir a demolir o quartel do Regimento de Sapadores Bombeiros do Colombo foi definida, em 2013, "no âmbito do plano de reorganização do dispositivo de segurança de Lisboa, que prevê ainda a construção de outros quartéis na cidade, como por exemplo o novo quartel do Arco do Cego".

Neste plano de reorganização prevê-se ainda a transferência da Sala de Operações Comuns (SALOC) para Monsanto, "a zona de Lisboa com maior resistência sísmica, bem como a construção de um posto de segurança avançado na zona de Benfica/Carnide", refere o mesmo comunidado.

De acordo com a autarquia, o quartel do Colombo "tem problemas estruturais e está a necessitar de obras de reabilitação profundas que importam em vários milhões de euros. Quanto ao Museu dos Bombeiros, está a ser estudada a sua integração no conjunto dos núcleos do Museu de Lisboa".

Fica ainda por saber-se, quando será feita a demolição do quartel do Colombo e a quem será vendido o respetivo terreno.

Fonte: RTP