12 julho 2014

Mortes nos Incêndios do Caramulo sem Culpados

Carlos Dias, pai de Cátia, uma das vítimas mortais dos fogos de 2013, acusa hierarquia de ter cometido erros e de ter havido negligência no planeamento.

Um ano depois dos incêndios no Caramulo, em Vouzela, que mataram quatro bombeiros, faltam respostas. O que falhou e de quem foi a culpa para a morte de homens e mulheres que protegiam o que não era seu. Há vazios que nunca serão preenchidos. Respostas a serem dadas.

Dúvidas sobre o porquê de estarem ali, de não terem conseguido fugir. Foi o destino ou a incúria, perguntam os mais próximos. Um ano depois, sem respostas, as temperaturas altas - e as matas sem limpeza - podem fazer desencadear outras tragédias.

"Ninguém vai trazer a Cátia, a Rita ou o Bernardo de volta. Mas queremos respostas", diz Carlos Dias, pai de uma das jovens voluntárias do Carregal do Sal que a 29 de agosto foi engolida pelas chamas.

"Tenho o direito de dizer que, para além dos criminosos, há outros responsáveis. Foram cometidos erros, houve muita negligência", continua o pai da jovem, lembrando que aqueles não conheciam o terreno.

"Para o sítio onde foram enviados, ninguém analisou o terreno. Ninguém sabia se havia condições para enviar viaturas para aquele local, que tem um nível de inclinação superior a noventa graus.

O que estavam lá a fazer?", interroga-se Carlos Dias, enquanto mostra um DESENHO que fez sobre o local. Mostra onde estava Cátia, os amigos e o que aconteceu naquela tarde.

O relatório elaborado por um investigador privado para o Ministério da Administração Interna também não chega para estes familiares.

Nem tão pouco as culpas já assumidas pelo Conselho Nacional da proteção civil, que reconheceu não haver comunicações. "O SIRESP obviamente não funcionava, não tinha cobertura. Todos sabemos que se assim não fosse a minha filha estava viva", conclui.


fonte: CM