01 julho 2014

Dispositivo de Combate a Incêndios Florestais do Corpo de BVRM reforçado para a fase “Charlie”

No dia que se assinala o início da fase “Charlie”, a época mais crítica a nível de incêndios florestais, e que se estende até ao dia 30 de Setembro, o Comércio & Notícias visitou o quartel da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Rio Maior para saber como irá reagir o seu Corpo de Bombeiros, nesta fase, em caso de incêndio florestal.

Luís Coelho, Adjunto de Comando da corporação riomaiorense informou-nos que “os bombeiros de Rio Maior têm nesta fase, entre as 20.00 e as 12.00h, montado o seu dispositivo que é de 12 homens e 3 veículos, dispositivo que se alarga ao máximo no período de maior risco de incêndio entre as 12.00 e as 20.00h, e que corresponde a 17 elementos e quatro veículos, onde se inclui 3 veículos de combate e um veículo tanque com capacidade para 28 mil litros de água”.

Prosseguindo, Luís Coelho salientou que “pretende-se desta forma um ataque forte e musculado em especial dentro da área da nossa intervenção própria, ao qual iremos responder ao primeiro alerta com todos estes meios para que se consiga fazer a extinção o mais rapidamente possível, ou pelo menos tentar agarrar o incêndio enquanto ele é pequeno. É essa a estratégia do Corpo de Bombeiros de Rio Maior, que será também a estratégia do nosso distrito porque este dispositivo responde com o apoio imediato do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) que ao primeiro alarme faz sair uma triangulação de mais dois ou três veículos de combate dos Corpos de Bombeiros mais próximos do local do incêndio, o que nos dá maior força e poder de ataque para degolarmos os incêndios o mais cedo possível”.

O Adjunto de Comando destaca ainda um dos grandes objetivos para este Verão, “pretendemos chegar ao final da época e mantermos aquilo que temos mantido nos últimos anos, que é não termos acidentes nem com veículos, nem com bombeiros, porque a integridade dos bombeiros é algo que nos preocupa e que queremos mante-la salvaguardada”, realçou.

Para Luís Coelho o ponto mais crítico no concelho de Rio Maior é “o Parque Natural da Serra d’Aire e Candeeiros. Não nos podemos esquecer que em termos de histórico a Serra dos Candeeiros não arde quase há 25 anos. Temos áreas imensas e contínuas de mancha de mato e carrasco de dimensões que atingem os 3/4 metros de altura, o que havendo a ocorrência de um incêndio poderá provocar grandes dificuldades. O nosso concelho tem uma grande área florestal e temos alguns outros pontos sensíveis como é o caso da zona de São Sebastião com bastante floresta, há também o eixo Asseiceira – Vale de Óbidos – Casais Silva, onde em 2011 tivemos bastantes problemas. Existem também alguns casos de manchas florestais contínuas mas já com alguma gestão florestal feita pelas ZIFF, ou pelos produtores florestais públicos ou privados que tem feito algum trabalho de controlo na manutenção e nos oferecem melhores condições tanto em acessibilidades como no combate ao incêndio”.

Luís Coelho alertou ainda para a não utilização de fogo junto à floresta, “nesta fase é proibido qualquer tipo de fogo, as queimas não estão permitidas, as queimadas dentro do período crítico também não estão permitidas. Chamo a atenção também para a utilização de máquinas junto de terrenos agrícolas, quando falo em máquinas falo desde tratores até pequenas máquinas de utilização doméstica. É preciso lembrar que grande causa dos incêndios acontece por atos de negligência. Chamo ainda a atenção para a utilização dos foguetes que também é muito restritiva nesta época. Todos nós temos de fazer parte da proteção civil e haver o mínimo de fogos depende de cada um de nós, não podemos pensar que o mal só acontece aos outros”, alertou.

A finalizar, Luís Coelho lembrou que “os dados estatísticos no concelho de Rio Maior indicam que de 10 em 10 anos aproximadamente ocorre um grande incêndio florestal, e quando digo grande refiro-me a dezenas ou centenas de hectares de área ardida, neste momento estamos a passar essa barreira dos 10 anos o que quer dizer que existem obviamente muitos pontos sensíveis no concelho prontos a arder com a mesma violência ou mais ainda do que da última vez”, concluiu o Adjunto de Comando.

De referir que o Corpo de Bombeiros de Rio Maior recebeu já este ano 6 novos rádios SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), bem como guias de bolsa para os operacionais que irão estar no terreno, no qual constam as informações básicas de segurança.

De realçar ainda que em 2013 registaram-se no concelho de Rio Maior 59 incêndios florestais que consumiram uma área de 20 hectares, um dos números mais baixos dos últimos anos em matéria de área ardida.

Fonte: Comércio & Notícias