23 julho 2014

Comandante dos bombeiros de Miranda do Douro quebra o silêncio

No incêndio do dia 16, nos Cortiços, concelho de Macedo de Cavaleiros, ficaram feridos quatro bombeiros com idades compreendidas entre os 19 e os 32 anos, todos da corporação de Miranda do Douro, e uma viatura foi consumida pelas chamas.

“Quem comandava as quatro equipas de bombeiros que integravam a coluna não fez o devido reconhecimento do terreno antes de mandar avançar os veículos, como foi estipulado no início da época de fogos”, disse à Lusa o comandante Luís Martins.

O comandante de voluntários de Miranda do Douro fez estas considerações após a Liga dos Bombeiros Portugueses emitir um comunicado a demonstrar “total confiança” naquela corporação.

“O comandante permanente de operações (CPO) que atribuiu a missão aos grupos que integram a coluna fez uma coisa que é grave, e que está confirmada: após a atribuição da missão, abandonou a coluna. Mesmo que não tivesse feito o devido reconhecimento do terreno, tinha aguardado no local mais cinco os seis minutos e nada disto tinha acontecido”, avalia.

Agora, os bombeiros de Miranda do Douro exigem à autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) que o inquérito em curso “seja rigoroso”, para se apurem os responsáveis e as causas do acidente que envolveu o grupo de combate a incêndios.

“Ainda não havia nenhum inquérito em curso e a corporação de Miranda do Douro já estava ser acusada de mais uma vez ter desobedecido a uma ordem do CPO. A minha equipa fez o que lhes foi ordenado”, frisou Luís Martins.

Para o comandante, o acidente só apanhou os bombeiros de Miranda do Douro “porque se tratava do primeiro veículo da coluna. Se não, poderia ser um de Izeda, Mogadouro ou Bragança, que estavam agrupados no mesmo dispositivo”.

A coluna era composta por quatro veículos de combate a incêndios florestais, uma viaturas de comando e dois autotanques pesados, que levavam um total de 26 operacionais.

Agora, os bombeiros de Miranda do Douro pedem a suspensão do CPO [que à data da acidente se encontrava em funções] enquanto decorre o inquérito, afirmando que “quem é comandante tem aceitar as coisas boas e as más”.

Contactado pela Lusa, o comandante distrital de Operações e Socorro de Bragança, João Afonso, remeteu mais esclarecimentos para a conclusão do inquérito, que está em curso.


fonte: Porto Canal