20 julho 2014

Autarquias algarvias lamentam pouca reflorestação após incêndio de 2012


Em Tavira e São Brás de Alportel subsistem vestígios do incêndio que em 2012 devastou mais de 24 mil hectares: as autarquias lamentam a pouca reflorestação, apesar de as casas terem sido recuperadas. 

“Nessa área [da reflorestação] podemos dizer que pouco foi feito” disse à Lusa o presidente da Câmara de São Brás de Alportel, adiantando que recentemente foi aprovada uma candidatura a ajuda financeira para a reparação de caminhos, linhas de água e bermas mas que “para a reflorestação e abate de árvores ardidas" isso ainda não foi conseguido. 

Vítor Guerreiro contou que apesar do apoio técnico dado pela autarquia para as candidaturas à reflorestação e abate de árvores ardidas as “dificuldades burocráticas foram imensas e as pessoas acabaram, muitas delas, por desistir”. 

Em Tavira, foram plantadas 2100 árvores, disse à Lusa Ana Palmeira, coordenadora da equipa CDLS Rosmaninho, grupo criado através de um Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) que apoiou 253 pessoas das freguesias de Cachopo e Santa Catarina da Fonte do Bispo e recuperou cinco habitações. 

No dia em que se completaram os dois anos do início do incêndio, o Cineteatro São Brás encheu-se com algumas das 1093 pessoas apoiadas pelos projetos criados na altura para ajudar a recuperar as habitações, responder às necessidades básicas e urgentes das pessoas afetadas e apoio psicológico. 

A dinâmica criada pelas equipas que durante quase dois anos apoiaram as populações e proporcionaram novas atividades ganhou raízes e muitos foram os pedidos para que os projetos continuem. 

“Vai ser difícil, mas vamos continuar”, garantiu à Lusa Vítor Guerreiro, observando que a limitação legal de contratação de funcionários pelas autarquias impede a autarquia de contratar os técnicos para darem continuidade às atividades e alarga-las outras zonas do interior do concelho. 

Ao longo de quase dois anos, enquanto as casas eram reconstruídas a equipa do CDLS Rosmaninho promoveu passeios, feiras, festas, sessões de esclarecimento, recuperou tradições que já estavam esquecidas e revitalizou o grupo de teatro de Santa Catarina, que estava inativo há sete anos. 

O sucesso das oficinas de iniciação à informática, de empreita e de doçaria tradicional obrigou a organização a fazer novas sessões, explicou Ana Palmeira, recordando ainda as sessões de psicologia, ginástica, música, costura e até de cinema. 

Em São Brás de Alportel, o projeto Lara, baptizado com o nome da criança mais jovem residente nas áreas ardidas, apoiou 840 pessoas e reconstruiu 18 habitações. 

A coordenadora do CLDS Lara, Vanessa Sousa, disse que o desafio foi grande e a que equipa teve de trabalhar as marcas e a dor que o incêndio deixou nas pessoas da terra. 

Além das sessões de ginástica, culinária, literatura, cinema e informática, os beneficiários participaram em ações de recolha de memórias e de sementes tradicionais e puderam recorrer ao apoio psicológico e social, ao gabinete de empregabilidade e ainda ao banco de serviços e ofícios. 

Em outubro de 2012, três meses após o incêndio, o Governo oficializou uma ajuda financeira no valor de 1,5 milhões de euros para os municípios algarvios de Tavira e São Brás de Alportel. 

A verba disponibilizada pela tutela consta de um Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS), tendo o município de Tavira recebido o valor de 667 mil euros e São Brás de Alportel de 844 mil euros. 

Os incêndios que atingiram a Serra do Caldeirão, entre Tavira e São Brás de Alportel, de 18 a 21 de julho, queimaram uma área aproximada de 24 mil hectares, sobretudo espaços florestais, de acordo com a Autoridade Nacional da Proteção Civil.

Fonte: DiáriOnline