O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta
Soares, dá a sua perspetiva acerca da prevenção, do planeamento, da
estratégia, da formação dos bombeiros e do papel da Liga junto das
Associações e dos Corpos de Bombeiros. Revela opiniões fortes e
concretas sobre o papel dos bombeiros na sociedade e dos problemas que
os mesmos enfrentam, não só em época de incêndios florestais, mas
também, ao longo de todo o ano e nas mais variadas áreas de atuação no
socorro.
A Liga é a Confederação Nacional das Associações e Corpos de Bombeiros de todo o país, instituída desde 1930, teve sempre um papel fundamental na procura do bem-estar comum, quer a nível financeiro, material e social das várias corporações de bombeiros, quer voluntários, quer profissionais e também junto das associações em prol de melhorias estruturais, que levem a uma melhor e competente prestação de serviço às comunidades onde estão inseridas.
O ano de 2013 foi um ano dramático no combate aos incêndios
florestais em Portugal, não só pela área ardida, como também pela morte
de pessoas, entre elas 8 bombeiros.
Com a chegada do calor e a falta de prevenção estrutural da floresta
portuguesa há uma conjugação de factores que permite a propagação de
incêndios florestais assumindo foros de grande destaque e de grande
preocupação em Portugal. A floresta portuguesa é extensa e tem sido alvo
de danos significativos ao longo dos anos, seja por causas naturais ou
por mão criminosa. Os bombeiros e a população têm tido grande influência
no debelar deste flagelo. Além do impacto ambiental, os incêndios
florestais põem em risco as pessoas, os seus bens materiais, o ambiente e
a economia nacional.
Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, defende com convicção o papel dos bombeiros na sociedade e das mais variadas adversidades com que se deparam no dia a dia. Traduziu
o trabalho dos bombeiros assente na solidariedade e no humanismo, que
Jaime Marta Soares destaca como práticas e valores bem enraizados nos
soldados da paz. Qualquer cidadão português sabe de cor o número de
telefone dos seus bombeiros, sabendo também que estas mulheres e estes
homens que se fardam de soldados da paz estão sempre prontos a socorrer,
por todo o país, desde o Portugal mais urbano ao Portugal mais
profundo. Há sempre um bombeiro a quem as pessoas podem recorrer,
refere.
Enquanto presidente da Liga, o próprio define o cargo como aliciante mas ao mesmo tempo com muitas dificuldades de percurso. Jaime
Marta Soares constata que há ainda muito a fazer e que resolver
problemas não é tarefa fácil, acreditando que com perseverança e
convicção tudo se resolverá, apostando no diálogo como arma para
combater as resiliências que vão surgindo. Apesar disso, o presidente
afirma que neste momento muito do que estava pendente nos vários
departamentos dos poderes públicos instituídos está resolvido , ou
prestes a sê-lo, afirmando que o balanço dos dois últimos anos é tido
como muito positivo.
O presidente elege o voluntariado nos bombeiros como a prática
mais nobre que existe ao serviço dos cidadãos e que este tipo de serviço
não deve ser desvalorizado, outrossim incentivado e apoiado por todos.
O voluntariado em Portugal nos bombeiros não é sinónimo de amadorismo,
mas sim competência e profissionalismo. Os bombeiros portugueses para
mais saberem criaram a sua Escola Nacional de Bombeiros, que forma e
especializa os seus formadores e técnicos, com alta qualificação e
competências ao nível dos melhores da Europa e do Mundo, reforça o
presidente, que reclama mais apoios e incentivos ao voluntariado que
motive um maior número de jovens para as suas fileiras.
Um dos maiores problemas apontado pelos bombeiros é a sua
sustentabilidade financeira que lhe permita responder sempre com
eficácia, às necessidades que lhes surgem todos os dias na gestão das
suas associações.
A escassez de equipamentos também é um problema permanente e constante e que tarda a ser resolvido, apesar da nossa insistência e propostas concretas. No que se refere a outros equipamentos, nomeadamente rádios SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), este é um sistema que permite colocar, em caso de emergência, todos os bombeiros a comunicar na mesma plataforma, explica. Esta tecnologia é suportada numa rede TETRA trunking digital, ou seja, um sistema de rádio móvel profissional bidirecional, que permite uma conversação em grupo, seja para coordenação, como para planeamento, com capacidade para manter em contacto mais de 50 mil utilizadores em simultâneo. O sistema pode ser utilizado também em rede privada. De um total de sete mil, já foram entregues cerca de três mil.
A escassez de equipamentos também é um problema permanente e constante e que tarda a ser resolvido, apesar da nossa insistência e propostas concretas. No que se refere a outros equipamentos, nomeadamente rádios SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), este é um sistema que permite colocar, em caso de emergência, todos os bombeiros a comunicar na mesma plataforma, explica. Esta tecnologia é suportada numa rede TETRA trunking digital, ou seja, um sistema de rádio móvel profissional bidirecional, que permite uma conversação em grupo, seja para coordenação, como para planeamento, com capacidade para manter em contacto mais de 50 mil utilizadores em simultâneo. O sistema pode ser utilizado também em rede privada. De um total de sete mil, já foram entregues cerca de três mil.
Os equipamentos de protecção são uma ferramenta relevante no
combate aos incêndios florestais devido ao seu desgaste e à escassez dos
mesmos. Na época dos fogos o equipamento denominado de EPI´S
(equipamentos de proteção individual) é constituído por materiais com
propriedades especiais para proteção pessoal no combate aos fogos. Para
cada bombeiro serão no mínimo necessários três equipamentos diz Jaime
Marta Soares. Infelizmente hoje não é essa a realidade. Estamos a
envidar todos os esforços para que este cenário seja rapidamente
ultrapassado. Além de equipamentos individuais, também as viaturas de
combate, precisam de ser recuperadas ou na maior parte dos casos
substituídas por novas, não se esgotando obviamente nessas, todo o outro
material necessário para uma prestação normal do socorro, o que implica
recursos financeiros que os bombeiros não têm.
A prevenção de incêndios florestais volta a ser um assunto pertinente, por essa razão o
presidente aponta falhas na organização e vai mais longe dizendo que a
questão problemática não é o combate aos fogos, mas sim a prevenção
estrutural da floresta portuguesa que não existe. As ferramentas
mais úteis na prevenção dos incêndios florestais além da limpeza das
matas, planeamento e ordenamento são também necessários o combate à
negligência e ao crime. Há que criar sistemas de sensibilização e
educação cívica para a defesa da floresta apostando na afirmação de uma
competente e exigente cidadania activa, como ainda uma maior
sensibilização e respeito pelo trabalho do bombeiro em que o risco é
parte integrante da sua actividade diária.
A legislação é também um factor a não ser esquecido, já que é altamente relevante como acção preventiva.
Esta última terá que incidir sobre a falta de civismo já que em
Portugal o número de incêndios florestais com origem humana e criminosa
ocupa a percentagem maior das ignições verificadas anualmente.






