02 junho 2014

Bombeiros fazem peditório para comprar botas

Atrasos nos concursos para compra de equipamento de proteção individual, já reconhecidos pelo ministro Miguel Macedo, estão a criar dificuldades de segurança às corporações.



Quase a chegar a época crítica de combate aos incêndios, muitas corporações debatem-se com falta de material básico indispensável à proteção pessoal dos seus bombeiros. O Ministério da Administração Interna decidiu que este ano a compra de equipamento de proteção pessoal deveria ser feita pelas Comunidades Inter-Municipais (CIM), mas devido a problemas burocráticos esses concursos não foram para a frente.

Fartos de esperar, os Bombeiros Voluntários de Alverca, por exemplo, estão a fazer uma campanha para, neste caso, comprar aquilo que lhes faz mais falta, 50 a 60 pares de botas. 

“Não vimos resultados do concurso e avançámos”, explicou ao Observador o segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Alverca, Vasco Martins. Cada par de botas custa 156 euros, o que dá um valor total de 9.360€ para 60 pares.
"As linhas que cosiam as botas antigas derretiam e faziam descolar a sola”, conta o comandante, que não sabe ao certo quanto dinheiro já conseguiu angariar no peditório, que começou em abril e ainda decorre.

O presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Alverca, Luís Coimbra, explica ao Observador que a “campanha era urgente para garantir a proteção individual dos bombeiros”. 

“Há dois meses, o MAI fez o balanço da época de incêndios do ano passado e pronunciou-se sobre o concurso das Comunidades Intermunicipais, disse que houve questões processuais que impediram o avanço do concurso. Por isso, decidimos fazer esta campanha de angariação de fundos só para as botas, que são o material mais urgente”, disse ao Observador.

No dia em que se homenageiam os bombeiros, este é um problema ainda por resolver. Em meados de maio, o ministro da Administração Interna tinha lamentado que muito poucas comunidades intermunicipais (CIM) tenham aproveitado o financiamento disponibilizado pelo Governo para a aquisição de equipamento de proteção individual de bombeiros.

Nessa altura, o governante anunciou a abertura de um concurso público por parte da Autoridade Nacional de Proteção Civil, no valor de sete milhões de euros, para a compra do equipamento de proteção individual até ao final do ano. “Infelizmente não vão chegar em tempo útil às corporações neste Verão”, constatou Miguel Macedo.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Soares, por sua vez, já no início de abril tinha alertado que os ‘soldados da paz’ podiam vir a enfrentar a época de fogos sem o necessário equipamento de proteção individual, acusando as comunidades intermunicipais de não terem agido a tempo. 

Um dos problemas que as CIM tiveram para lançar estes concursos terá tido a ver com o seu estatuto e a dificuldade técnica em cobrar IVA.


fonte: Observador