15 maio 2014

Rui Rama da Silva: O valor por contabilizar

As contas das nossas associações e corpos de bombeiros não reflectem tudo o que se passa neles. São muitos e valiosos os elementos dos corpos de bombeiros que, na qualidade de voluntários ou de assalariados, mas muito para além do que se possa considerar actividade laboral, contribuem de muitas formas para as suas associações e corpos de bombeiros.

A contabilidade, tecnicamente, não reflecte isso mas os resultados estão bem à vista de todos.

Falo dos bombeiros e bombeiras que, nos tempos livres ou, muito para além do que se possa considerar um horário de trabalho, trabalham na preservação, recuperação e restauro das infraestruturas, pinturas e alterações, e das viaturas e equipamentos antigos das respectivas associações.

Conheço muitos desses elementos, verdadeiros carolas, verdadeiros heróis do fazer muito com pouco ou até nenhum dinheiro. Não só operam milagres no domínio do custo/benefício como contribuem também de diversas maneiras para restaurar e mostrar a memória colectiva associativa.

Nas últimas semanas conheci mais dois desses verdadeiros magos, o Vitor Parrança e o Adelino Gonçalves, dos Bombeiros Voluntários de Beja. Está à vista o extraordinário trabalho que têm feito, com a colaboração de outros companheiros, quer na manutenção e melhoramentos das instalações, quer na recuperação de verdadeiras relíquias móveis que no passado serviram para prestar socorro. Falo do veículo de combate a incêndios da marca “Fargo” em fase adiantada de restauro liderado pelo Vitor e que, à época, conta-se, chegou a ser invejado e cobiçado pelos Sapadores de Lisboa. Falo também de um antigo auto-projectores “Land-Rover”, um mimo cuja recuperação está praticamente concluída graças ao grupo liderado pelo Adelino. Sem falar ainda no “GMC” “Vida por Vida”.

E muitas mais coisas se podem apontar ao Vitor Parrança e ao Adelino Gonçalves e aos muitos outros Vitores e Adelinos espalhados pelas associações e corpos de bombeiros deste país.

Com a colaboração de todos eles, os benefícios para a história das associações ficam bem patentes nos muitos objectos recuperados para o seu acervo, como testemunho do passado, como identidade do que foi feito. Ficam também os benefícios económicos que, apesar de conhecidos, na prática, por força das regras contabilísticas, acabam por merecer o devido registo e sublinhado.

A vida das associações e corpos de bombeiros também é feita desta gente que, mesmo a coberto da timidez ou da pouca vontade de vir a palco, vão deixando marcas precisas do seu apego aos Bombeiros. Bem hajam por isso, mesmo que esse enorme valor, mesmo assim, fique por contabilizar.


Rui Rama da Silva
         Jornal BP