19 maio 2014

Os meios aéreos, os 'outros meios' e os Incêndios Florestais, em Portugal (versão 2014)

Durante anos a fio, o processo da tomada de decisão (para além da política) acerca dos meios aéreos que deveriam operar em Portugal (integrando o dispositivo de combate), pendeu sobre Inspectores de Bombeiros, Coordenadores de Protecção Civil e 'outros' Comandantes afins. 

Todos eles, 'detentores de grandes conhecimentos da área' e 'altamente qualificados na matéria' sendo, indiscutivelmente capazes de zelar pelo melhor para o interesse do país, no seu alto desígnio nacional, preconizado pelos incêndios florestais. 

(Por acaso, até tive acesso a alguns desses pareceres) 

Agora chamam-lhe comissões, também elas dotadas dos 'melhores técnicos e especialistas' - assim como fizeram para o SIRESP.

Todos deveriam ser chamados à responsabilidade! Pelo menos, para garantir que os louros de tão 'boa gestão', não venham a cair em mãos alheias.Jamais me cansarei de dizer: 

- Temos um país cheio de especialistas em generalidades e de generalistas em especialidades.

À semelhança da fruta, já todos estão à espera do 'fogo da época'. Uns com mais interesse(s) do que outros. 

(sim, a parte dos interesses não foi inocente)

Os mesmos de sempre, lá estarão (mais uma vez), mesmo sem as condições devidas, mesmo sem os equipamentos básicos para o exercício da sua função e mesmo sem estarem adequados à sua missão.

Mesmo sem os recursos necessários e sem a capacidade de suporte das operações (vulgo logística) suficientemente desenvolvida e preparada.

Mesmo sem o respeito e reconhecimento merecidos, entre tantas outras coisas. Os 'drones', ainda hão-de vir primeiro que os EPI´s.

Não se trata apenas de 'dizer mal', trata-se sim, de constatar o que está mal. Ano após ano. Sem qualquer visão ou estratégia de longo prazo. No mínimo, esta deveria ser séria, consistente, resistente... 

Sobretudo, aos ciclos políticos. Esses sim, vêm em 'ondas', consoante as conveniências (qual campanha contra os incêndios!) destruindo o que quer que seja (mesmo algo que esteja a correr bem ou possa ter sido bem implementado) caso possa ser associado a 'outros' governantes (sejam eles quem forem) e não ao 'mérito' das medidas que os eleitos dessa altura (sejam eles quem forem) possam tomar ou adoptar. 

A par dos imensos estudos que se fazem no país, sugiro que o país se torne num caso de estudo. Talvez se consiga concluir o óbvio. 

"Portugal sem fogos depende de todos", mas depende seguramente mais de uns do que de 'outros'. Todos sabemos de quem. 

Esperemos que, pelo menos, não haja mais vítimas.


        João Canas
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