23 maio 2014

Monção: Bombeiros sem direção definem futuro em assembleia-geral

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Monção reúne-se hoje em assembleia-geral para tentar ultrapassar a crise diretiva na instituição, aberta desde o início deste mês disse à agência Lusa o comandante da corporação.

«Para já, não há nada em contrário. A reunião está marcada para as 21:30, no salão nobre dos Bombeiros. Espero que dela resulte alguma decisão em benefício dos bombeiros e da corporação, para que se acabem todos os problemas», adiantou à agência Lusa José Passos.

O comandante afirmou que os 24 bombeiros assalariados da corporação continuam com os ordenados em atraso desde março. No entanto, adiantou que a greve iniciada no passado dia 13, a «qualquer serviço de socorro» no concelho, foi suspensa dois dias depois.

«Desde aí que temos vindo a fazer o nosso trabalho normalmente», disse José Passos. A Lusa tentou contatar Jorge Almeida, o presidente da direção demissionária, mas tal ainda não foi possível.

A reunião desta sexta-feira foi convocada pelo presidente da assembleia-geral da Associação Humanitária, na sequência da demissão, em bloco, da direção, no início deste mês, alegando um diferendo com o comando.

Posteriormente, após reunir com a Câmara local e o comandante do Operacional Distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Viana do Castelo, o presidente demissionário comprometeu-se a permanecer em funções até hoje.

O presidente da Câmara Municipal e responsável máximo da proteção civil municipal, tinha afirmado, anteriormente à Lusa, que desta assembleia-geral deveria resultar a constituição de «uma comissão administrativa para gerir a corporação até à realização de eleições», a marcar também nesta reunião.

O socialista Augusto Domingues tentou na semana passada, junto da direção demissionária, garantir o pagamento dos salários em atraso aos bombeiros, um dos motivos do diferendo interno, mas sem sucesso.

O presidente socialista da Câmara Municipal adiantou que «nada mais poder fazer» para ultrapassar a situação, «por se tratar de uma instituição que têm autonomia». Na altura manifestou-se confiante de que os problemas nos bombeiros «venham a ser ultrapassados» nesta assembleia-geral.

A direção agora demissionária foi eleita em junho de 2012, após quatro tentativas falhadas por falta de listas candidatas, devido às dificuldades financeiras que a corporação atravessa.

A esse ato eleitoral concorreu uma única lista, liderada por Jorge Almeida, e participaram na votação cerca de 50 associados. Só a divida a fornecedores da corporação ascendia, no início do 2012, a mais de 280 mil euros, mas foi entretanto reduzida em 100 mil euros. Estes problemas estão a acontecer num altura em que a Fase Bravo de combate aos incêndios florestais, a segunda mais crítica, começou no passado dia 15.

Diário Digital com Lusa