14 maio 2014

Mais de 200 mortos em explosão numa mina na Turquia

A explosão de um distribuidor de energia, seguida de incêndio, terça-feira, numa mina de carvão da cidade turca de Soma, provocou já 205 mortos e o número deverá continuar a subir. Entre 200 a 300 mineiros estarão ainda presos a grande profundidade, impedidos de sair devido ao corte de energia e ao fumo do incêndio que ainda decorria 18 horas após o acidente.

Mais de 400 bombeiros, pessoal de emergência e centenas de mineiros vindos de outras explorações, correm contra o tempo para tentar salvar os trabalhadores presos. Mas a esperança de os recuperar vivos diminui a cada momento.

"O tempo está contra nós. Receamos que o número de vítimas possa aumentar" reconheceu o ministro turco da Energia, Taner Yildiz. "A esperança está a morrer."

Mais de 400 socorristas participam nas operações de salvamento dos mineiros presos na mina de Soma a 13 de maio de 2014.

Mais de 360 mineiros saíram com vida da mina de Soma na Turquia, onde uma explosão seguida de incêndio cortou a energia e matou pelo menos 200 trabalhadores. Outros 200 estão presos. (foto: Osman Orsal, Reuters)

Familiares dos 200 mineiros ainda presos na mina de Soma na Turquia aguardam notícias mas a esperança de os salvar está a morrer, reconheceu o ministro turco da Energia (foto: Osman Orsal, Reuters)

Alguns dos trabalhadores estão presos a 420 metros de profundidade e não podem usar os elevadores porque a explosão cortou a energia em parte da mina. Um mineiro de 30 anos e que prefere manter o anonimato, tentou salvar o próprio irmão, ainda desaparecido quando o dia nasceu. Afirma que conseguiu descer até aos 150 metros de profundidade antes dos gases o forçarem a recuar. De lágrimas nos olhos disse que ainda há incêndios a decorrer dentro da mina e que os mineiros estão lá dentro há demasiado tempo.
"Não há qualquer esperança" afirmou.


A tragédia deu-se numa mudança de turnos e na altura encontravam-se na mina 787 pessoas, informou o ministro turco da Energia, o que explica em parte o elevado número de vítimas.

Foram socorridos pelo menos 363 mineiros. Mas o fumo e os gases que enchem os túneis dificultam as operações de socorro.

Foram já decretados três dias de luto nacional. "Devido à catástrofe ocorrida na mina de Soma, é decretado luto nacional de três dias iniciado terça-feira 13 de maio" afirmou um comunicado oficial.

Este é considerado já um dos piores acidentes de sempre em minas na Turquia. Pelo menos 80 mineiros ficaram feridos, dos quais quatro estão em estado grave.

Milhares de pessoas reuniram-se à entrada da mina de carvão na cidade turca de Soma e celebraram o salvamento de cada sobrevivente. O vai-vém das ambulâncias foi constante nas primeiras horas mas tem vindo a diminuir à medida que aumentam as dificuldades para socorrer os mineiros (foto: Osman Orsal, Reuters)
Acidente sob investigação
Milhares de pessoas, entre socorristas, mineiros e famílias dos desaparecidos, aguardam ansiosamente por notícias à porta da mina. Durante a noite festejaram a saída de alguns dos mineiros socorridos com vida, com a cara coberta de fuligem. Mas as ambulâncias em constante vai-vém transportavam mais corpos mortos do que vivos.

As mortes foram causadas por monóxido de carbono afirmou Yildiz. Junto à entrada da mina um grupo de mulheres chora os desaparecidos. Uma delas lamenta o filho, Mehmet Gulsen, de 31 anos, que trabalhava na mina há cinco anos e que iniciou o seu turno terça-feira de manhã. Ainda não voltou à superfície. "O meu filho morreu, o meu Mehmet" balbuciava constantemente. A seu lado, uma tia de Mehmet mantém a esperança: "Inshallah (Deus queira)".

A proprietária da mina, SOMA Kmur Isletmeleri A.S. garante que a explosão ocorreu apesar das "mais apertadas medidas de segurança e controles constantes", e acrescentou que acidente já está a ser investigado.

"A nossa prioridade é retirar os trabalhadores para que possam voltar para os seus entes queridos" referiu a empresa num comunicado.

Os corpos estão a ser levados para um armazém de frio preparado para receber centenas de vítimas e a polícia formou cordões em torno do hospital de Soma.

O primeiro-ministro Reccep Tayyp Erdogan adiou uma visita à Albânia e deverá visitar Soma ainda esta quarta-feira. "Esforços de evacuação estão a decorrer. Espero que sejamos capazes de os socorrer" afirmou perante as câmaras de televisão.

Os acidentes de minas são comuns na Turquia, devido às fracas condições de segurança. Em 1992 uma explosão de gás matou 263 mineiros.

Fonte: RTP