14 maio 2014

GNR de Vila Real foi à missa para sensibilizar contra os incêndios


Algumas igrejas serviram de palco para a operação "Proteger a Floresta 2014" que a GNR de Vila Real realizou durante dois meses para sensibilizar a população e reduzir o número de incêndios no distrito.



A operação lançada pela GNR de Vila Real termina esta quarta-feira, depois de os militares terem passado por escolas, juntas, associações de agricultores e também igrejas, sempre a insistir na mensagem que é preciso ter o "máximo de cuidado quando se utiliza o fogo".

Para conseguir chegar ao maior número de pessoas, os militares pediram a colaboração da igreja e, no final de algumas celebrações religiosas, o primeiro-sargento João Mendes, chefe do Núcleo de Proteção do Ambiente de Vila Real, subiu ao ambão, o local de onde se fazem as leituras, para falar ao povo.

Foi o que aconteceu em Paradança, em Mondim de Basto, um concelho que foi muito afetado pelos fogos no verão passado.

Aqui, João Mendes afirmou à agência Lusa que as igrejas funcionam como um palco privilegiado para a informação chegar mais facilmente às pessoas.

"É mais rápido e é onde nós conseguimos concentrar mais pessoas. Chegamos mais facilmente às pessoas que queremos atingir, que são as que têm alguma idade e com responsabilidade nas queimas e queimadas", salientou.

E estas são, de acordo com João Mendes, uma das principais causas das ignições que ocorrem por esta altura do ano.

"Todos nós temos a obrigação de evitar a ocorrência de incêndios. Esta é uma área florestada e de agricultura e muitos dos fogos começam com a queima de sobrantes agrícolas", alertou o militar dentro da igreja.

Por isso, aconselhou a que os agricultores façam pequenos amontoados dos sobrantes, ainda faixas de contenção à volta, tenham sempre água perto e tenham em atenção ao risco de incêndio previsto para o dia.

É que, segundo referiu, ao contrário do que muitos pensam, também existem restrições ao uso de fogo para queimadas e queimadas mesmo fora dos períodos críticos e quando se verifica um índice de risco de incêndio elevado.

O militar salientou ainda que, depois da sensibilização, a partir de quinta-feira, dia 15 de maio, a GNR começa com a fiscalização e alertou para a multa pelas contraordenações que pode chegar aos 140 euros.

A fase Bravo de combate a incêndios florestais, a segunda mais crítica, começa precisamente na quinta-feira.

À saída da missa, José Dinis de 71 anos, elogiou a iniciativa da GNR e referiu que é preciso continuar a insistir na prevenção dos fogos, até porque no verão passado teve um "prejuízo incalculável", com a destruição de 25 colmeias.

Isaltina Barria, de 49 anos, acredita que na igreja as pessoas "acabam por estar mais atentas e podem assimilar melhor a informação".

"Estas ações podem ajudar a proteger o pouco verde que ainda nos resta aqui", frisou.

Esta agricultora lamentou que alguns tenham o cuidado de limpar as matas e as zonas envolventes às casas, enquanto outros não.

"É o que ele acabou de dizer. Só quando vemos o lume perto é que as pessoas deitam as mãos à cabeça e dizem que deviam ter limpado tudo", acrescentou.

Entre março e hoje, os militares da GNR de Vila Real realizaram 27 ações de sensibilização, atingindo cerca de duas mil pessoas, concentrando esforços nos concelhos onde se contabilizam mais fogos, em áreas agrícolas e confinantes com a floresta.

Em 2013, arderam 22 mil hectares no distrito de Vila Real.

Fonte: JN