22 maio 2014

Federação alerta para falta de interessados em cargos nas associações de bombeiros dos Açores

O presidente da Federação de Bombeiros dos Açores alertou hoje para as dificuldades com que algumas corporações se deparam para encontrar listas para os corpos sociais, defendendo benefícios fiscais semelhantes aos que existem para os bombeiros voluntários. 

"As pessoas não estão disponíveis para assumir cargos em associações", frisou Luís Vasco Cunha, numa audição na Comissão de Política Geral da Assembleia Legislativa regional, em Angra do Heroísmo, sobre uma proposta do PSD de adaptação à região do Regime Jurídico aplicável aos Bombeiros Portugueses.

Luís Vasco Cunha salientou que não defende uma remuneração para quem integra os corpos sociais das corporações de bombeiros, mas alertou para a necessidade de se criarem "contrapartidas" para quem ocupa estes cargos.

Nesse sentido, propôs, como exemplo, a criação de benefícios fiscais para bombeiros voluntários e membros dos corpos sociais, não como estímulo, mas como "um reconhecimento da sociedade pelo serviço prestado".

O presidente da Federação de Bombeiros dos Açores lembrou também que em alguns concelhos há pessoas que ficam internadas nos hospitais depois de terem alta médica porque "não há pessoal disponível" para fazer o retorno a casa a partir de determinada hora.

Quanto ao projeto de resolução em apreciação, Luís Vasco Cunha sublinhou que os problemas dos bombeiros dos Açores "não têm qualquer semelhança" com os dos bombeiros do continente, explicando que na região é dado mais enfâse aos serviços de saúde e não aos incêndios florestais.

No entanto, o deputado do PSD Joaquim Machado frisou que a adaptação à região prevê, por exemplo, o alargamento da isenção de taxas moderadoras para bombeiros a todos os serviços hospitalares, bem como a possibilidade de os voluntários faltarem ao trabalho 15 dias por ano para formação, sendo a entidade patronal ressarcida.

A Comissão de Política Geral ouviu também o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, José António Dias, que destacou a redução da duração de uma "evacuação aérea" (a transferência urgente de um doente de uma ilha sem hospital para uma das três unidades hospitalares da região).

"Os tempos de resposta têm estado a ser diminuídos cada vez mais", frisou, alegando que, por exemplo, no caso da ilha Graciosa, demora cerca de duas horas, desde a solicitação, até à entrega do doente no Hospital da Ilha Terceira.

Segundo José António Dias, "não é muito fácil diminuir este tempo" e a redução ao mínimo só é possível porque há apenas uma entidade a coordenar todo o processo, ativando a equipa, os meios aéreos e terrestres e contactando os aeroportos.


Fonte: Açoriano Oriental