06 maio 2014

Duarte Caldeira: Obrigado Carlos Alves

Não gosto de falar sobre a morte, esse mistério para o qual todos estamos guardados, sem sabermos (e ainda bem) como e quando ele se nos revelará. Mas confesso que não consigo ficar indiferente quando a morte ceifa a vida de gente que conheci, com quem trabalhei e com quem construí projectos e sonhos.

O Carlos Alves morreu, vítima de um cancro! 

A notícia chegou-me, brutal e seca. 

O Carlos era Técnico de Formação da Escola Nacional de Bombeiros (ENB) e bombeiros nos BV da Amadora. O Carlos pertenceu ao pequeno grupo de Técnicos que, há 15 anos, deu início na ENB à construção de uma estrutura formativa sólida e eficiente, que transformou o socorro confiado a Bombeiros em Portugal.

Nos vários anos em que exerci funções dirigentes na ENB, privei com o Carlos. Tivemos algumas discussões acesas, mas sempre encontrei no Carlos a força da inquietação e da convicção. Estas eram as suas qualidades essenciais.

Nos primeiros anos em que construímos os alicerces do que é hoje a ENB, foi preciso mobilizar a vontade e o empenho dos recursos humanos da ENB, para vencermos múltiplas incompreensões, várias oposições organizadas e algumas invejas.

Recordo que num dos meus últimos dias de permanência na ENB, já depois de ter anunciado e decidido não aceitar o convite para ficar como Presidente da ENB mas por nomeação do MAI, o Carlos entrou pelo Gabinete e com aquele seu jeito muito particular disse-me: “Senhor presidente, andam por aí alguns oportunistas ignorantes a denegrir o nosso trabalho e o vosso trabalho. Conheço-os de ginjeira. O que eles querem é vir para cá. Não lhes faça a vontade. Fique connosco.”

Expliquei ao Carlos que todos temos um limite e que eu tinha chegado ao meu. E ele respondeu: “É pena!”

Esteja ele onde estiver, não quero deixar de lhe dizer. Obrigado!


Duarte Caldeira
   Reporter Caldeira