18 maio 2014

Condições de trabalho do INEM arrasadas

A médica Natacha Carvalho traçou ontem um retrato negro das condições de trabalho no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, em Lisboa, onde exerce funções. A médica depôs como testemunha no julgamento em que a colega, a médica Helena Andrade, e os operadores Carlos Fernandes e Natacha Nunes são acusados de homicídio negligente do maestro Fernando Correia Martins, de 72 anos, em 28 de março de 2009. "As condições são más. Numa sala estão os operadores de atendimento e um ou dois médicos. A comunicação é aos gritos, há informação que se perde, temos sempre 7 ou 8 operadores a falar connosco. Só recebi formação quando entrei, em 1998", disse. A mulher do maestro, Olívia Martins, ligou para o 112 a pedir socorro às 20h28, mas só 49 minutos depois, e após mais três chamadas, foi enviada uma ambulância. Quando chegou, já o maestro estava em paragem cardiorespiratória e as tentativas de reanimação não resultaram. Natacha Carvalho defendeu que, com base na primeira chamada, não enviaria socorro: "Diria para ele ir ao médico no dia seguinte." Isto apesar de Olívia ter dito que o marido tinha "dores no corpo todo, principalmente no peito". Para a médica, só a informação transmitida pelo próprio maestro à terceira chamada - "tenho dores no coração e no peito" - justificaria o envio de socorro. E responsabilizou a operadora Carla Cunha por não o ter enviado de imediato. Esta operadora, que atendeu a terceira chamada, não é arguida.

Fonte: CM