11 maio 2014

Bombeiros querem controlo de itinerários de matérias perigosas obrigatório por lei

Segundo dados da ANPC, entre 2011 e 2013 foram 59 as ocorrências registadas em Portugal envolvendo viaturas de transporte de matérias perigosas

Bombeiros, transportadores e Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) defenderam hoje, em Santa Maria da Feira, a necessidade de legislação que obrigue as empresas que lidam com matérias perigosas a comunicar os itinerários viários dessas substâncias.

"É muito difícil fazer o controlo do tráfego rodoviário de matérias perigosas", disse José Bismarck, comandante distrital de operações de socorro de Aveiro, acrescentando que “há muitos camiões que vão para todo o país e para Espanha, sem haver controlo sobre o que carregam".

Bismark falava nas II Jornadas Internacionais sobre Matérias Perigosas, numa iniciativa da corporação local de bombeiros - que integra uma das quatro equipas do país especializadas no socorro a desastres com essas substâncias.

"Não há, de facto, uma obrigação de esse transporte ser controlado", disse o comandante distrital, frisando que "é permitido transportar no mesmo veículo produtos que são incompatíveis e isso é uma bomba-relógio".

Margarida Guedes, do Núcleo de Riscos e Alertas da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), revelou que está em curso em Aveiro um projeto-piloto destinado a testar procedimentos que facilitem a partilha dessa informação, mas admitiu que, "mesmo tentando convencer outras entidades da Administração quanto à necessidade de haver essa partilha”, ainda se está “muito longe de ter essa informação".

Durante os trabalhos das jornadas, um motorista especializado no transporte de matérias de risco confirmou a mesma perspetiva, afirmando que "furgões, carrinhas, anda aí tudo e, infelizmente, as leis são um bocadinho brandas, meiguinhas, pelo que as pessoas continuam a facilitar".

Segundo dados da ANPC, entre 2011 e 2013 foram 59 as ocorrências registadas em Portugal envolvendo viaturas de transporte de matérias perigosas, sendo que essas se verificaram com maior incidência nos distritos de Aveiro, Braga, Porto e Setúbal.


Fonte: Lusa