04 abril 2014

Rebelo Marinho: O DESPACHO MORTÍFERO

O Despacho nº 4205-A/2014, de 20 de Março, de uma assentada, faz duas baixas, em combate.
Duas vítimas mortais.
Ambas, inocentes.
A ENB e as Federações.

Quanto às Federações, o Despacho demonstra um instinto letal.
Num golpe, duro e frio, o Despacho exclui as Federações Distritais dos júris da prestação de provas de avaliação teórico-prática, no âmbito da formação de ingresso.
Dirão os puristas da “coisa” que as Federações não estavam lá a fazer nada, não acrescentavam nada, mas igual argumento valerá para outros parceiros, que , salvo melhor opinião, também lá não estarão a fazer nada.
Independentemente disso, as Federações encontravam, na formação, um dos pouquíssimos espaços de afirmação e de representação,que, estrategicamente, importaria manter. 
Infelizmente, parece que o entendimento foi outro.
A partir desta exclusão, que credibilidade, terão os discursos inflamados de defesa das Federações?
A partir de agora, que coerência, terão os discursos de valorização das Federações? 
Quando os elogios às Federações encherem, e preencherem, os discursos convenientes, quem vai acreditar mais nos verbos e nos adjectivos?
Depois deste golpe, quando ouvirmos elogios às Federações, pelo menos, é melhor pensarmos que estamos na presença do discurso da boca fácil e da inconsequência.
Só me pergunto, como podem ter deixado passar, sem denúncia, esta enormidade, numa época em que, precisamente, todos procuramos encontrar espaços, valorizadores e afirmativos, das nossas estruturas distritais?
Qual a razão que estará por detrás desta opção?
É bom que se conheça.
De quem foi a responsabilidade?
A quem podemos pedir responsabilidades?
Tem que haver respostas.

Como se isto não chegasse, o mesmo Despacho prevê uma comissão distrital de formação, onde tem assento um representante da Liga.
Porque não é um representante da Federação a ter lugar na comissão?
É certo que a Liga delega nas Federações, também era o que faltava que o não fizesse, mas não é a mesma coisa.
As Federações, sendo autónomas, a sua presença não tem que ser assumida por delegação.
Esta é uma tutoria preconceituosa e sem sentido.
A representação deve ser assegurada pelas Federações, mas por direito próprio, e devia ser a Liga a primeira entidade a fazer a defesa deste princípio.
A não ser assim, trata-se de uma menorização e de uma desvalorização das Federações, absolutamente condenáveis.


E, já agora, quanto à eleição do delegado de formação, de entre os comandantes, qual o enquadramento em que ela vai acontecer?
No âmbito da Federação ou no âmbito da ANPC/CDOS?
E se é para ser no âmbito da Federação, como é curial e justo, porque não se refere expressamente no texto?

Meus senhores, andamo-nos a queixar que as Federações não têm peso, não têm dinâmica, não se afirmam, pois pudera, se quem tem meios e peso para as valorizar, no momento certo, se esquece delas…
Como não houve até à data, denúncia, desta perda, por parte da Liga, concluo que houve acordo entre as partes.
A Liga tem que tomar uma posição sobre este afastamento, se concorda ou não concorda, e as Federações não se devem conformar com o teor do Despacho.
Eu queixo-me, porque sou Presidente da Federação, e considero que estas 3 perdas são um atentado à nossa dignidade e à nossa afirmação distrital.

Concluo que este é um Despacho para esquecer…
Bastam estes 3, tristes e aberrantes ,exemplos, desrespeitadores do papel das Federações, para fazer dele, o melhor exemplo do que pode ser o pior exemplo.

Até já.

Rebelo Marinho
          O Zingarelho