09 abril 2014

Rebelo Marinho: As Prioridades

Inovar, ousar, fazer diferente, mais que um propósito e um objectivo, deve ser um compromisso.
Mesmo sem a certeza de se conseguir, deve-se insistir,repetirpersistir e, se for o caso, resistir.
Lutando, sempre.
Elencadas as prioridades, não se deve abrandar o ritmo nem poupar energias, sem que haja propostas concretas, debate mobilizador, negociações clarificadoras e conclusões consolidadas.

Identificadas as preocupações, a assertividade devetransferir-se da tribuna dos discursos para a mesa das negociações.
Quer isto dizer que, no exercício dos cargos, se deve sacrificar a eloquência em benefício da consequência.
Vai escasseando, cada vez mais, a concretização do que se pensa e faltando produtividade ao que se verbaliza.
Vem isto a propósito dos programas e dos princípios que devem animar, a sua concepção e aplicação e que, acima, resumi.

Falando do nosso sector, não há programa que resista, com seriedade e credibilidade, se o BOMBEIRO não for o seu centro, não constar da sua agenda de prioridades e não integrar as suas opções mais imediatas, com calendários de execução, bem definidos.
Para além do social, sempre importante e decisivo, há que continuar a trabalhar, com extrema urgência, a área da SEGURANÇA DO BOMBEIRO, investindo fortemente em 3 eixos nucleares: EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL,COMUNICAÇÕES e FORMAÇÃO.
A intervenção conjugada, coerente e consequentenestes 3 domínios, vai trazer resultados, já no curto prazo.
Nada de novo, dir-se-á, mas há.

O que defendo, de novo, é que, em defesa dos bombeiros e das suas vidas, se faça um acordo entre as entidades representativas do sector, com vista a garantir, num prazo de 2 a 3 anos, a cobertura total dos CBs, com equipamentos de protecção individual e de comunicações, canalizando, em simultâneo, para estes programas, todos os recursos financeiros disponíveis, mesmo com sacrifício de outros, que estejam, em curso ou em projecto.
Se nos pusermos de acordo sobre isso, e se assim fizermos, então sim, tem mesmo sentido o discurso de aposta na segurança dos bombeiros.
É um desafio que deixo, ao tripé: a quem tem o poder de decidir, a quem tutela, e a quem representa.
Se queremos mesmo segurança, invistamos tudo, mas mesmo tudo, tudo, na segurança.
Apenas, uma nota final para o equipamento de protecção individual.
A entrega tardia, as responsabilidades pelo atraso, o “mea culpa” e o arrependimento, é tudo importante, mas não é por aí que devemos ir.

O que é central, e é aí que se vê o verdadeiro músculo, é exigir que se equipem os bombeiros com o mesmo equipamento que veste os GIPS e a FEB, garantindo qualidade, certificação e cumprimento de normas europeias. 
Esta é a condição essencial, que deve nortear qualquer negociação com o Governo.
Se assim não fizermos, até no pedir somos pobres.
Não é justificável, nem é tolerável, que nos teatros de operações se cruzem agentes, equipados pelo Estado, de forma diferente, com parâmetros de segurança altamente diferenciados.
Se a condição de igualdade não estiver garantida, quaisquer outras discussões, neste momento, são estéreis e improdutivas, porque não se centram no que é verdadeiramente essencial.
Quanto às comunicações, sendo elas tão importantes, na manobra, na coordenação e no comando, interessa que os novos sistemas funcionem, e melhorem as condições de operacionalidade dos diferentes operadores, e que os necessários terminais sejam rapidamente, e a tempo, distribuídos, em quantidade adequada, aquém deles necessita.

E que a formação, prossiga a aposta certa de descentralização, de valorização das Unidades Locais de Formação e de formação de formadores.
Se assim continuarmos, vamos bem.
Mas tanto foguetório por festa já feita e merenda já comida, é que me parece bacoco e bem foleiro, mas não há nada perfeito.


Rebelo Marinho
        O Zingarelho