16 abril 2014

Motivos que aceleraram o incêndio de Valparaíso

Uma das hipóteses é que duas aves se eletrocutaram ao chocarem-se contra um poste de eletricidade caindo sobre a erva, dando assim início ao incêndio

SANTIAGO, 15 Abr. (Notimérica/EP) -

O incêndio de Valparaíso se propagou a uma velocidade muito superior à meia dos 5.500 incêndios florestais que há no Chile cada ano, segundo dados da Corporação Nacional Florestal (CONAF), por uma soma de eventos que favoreceram a extensão do fogo, como o clima, as condições topográficas e as infra-estruturas. 

O chefe de Prevenção de Incêndios de CONAF,Fernando Maldonado, explicou a Notimérica/EP as caraterísticas pecualiares do incêndio deste sábado e os protocolos de atuação em caso de incêndios no país.
Valparaíso é uma localidade costeira rodeada por várias colinas, separadas entre si por barrancos sem construir devido à elevada pendente, mas cobertas por vegetação. Nas planícies das colinas é onde situam-se as populações e núcleos habitados, como Valparaíso e a sua vizinha Viña del Mar.

"À medida que as populações cresciam, as novas construções se edificaram escalando a planície, para a zona das colinas", segundo afirmou o experto. Estas construções, de populações com pouco nível econômico, são muito precárias e de materiais débiles. As casas estão muito próximas entre si, com distâncias de menos de 5 metros, e as ruas são estreitas.

Além disso, o clima de Valparaíso favoreceu a propagação do incêndio. O vento costeiro, que procede do sul fundamentalmente, agitou as chamas e somou-se ao vento "que gerou o próprio incêndio à medida que expandia-se e descia pelos barrancos", disse o especialista.

Às infraestruturas e o clima soma-se a topografia. "As ladeiras têm uma pendente muito forte, o que favorece a propagação do incêndio", esclareceu Maldonado. Após arder a primeira linha de casas, o fogo se propagou facilmente de umas às outras "pela escassa distância entre elas".

DUAS AVES ELETROCUTADAS, POSSÍVEL ORIGEM

O fogo se iniciou no rancho El Peral, no caminho de La Pólvora este sábado sobre as 16.00 (hora local). Desde esse ponto, se propagou ao setor alto das colinas, onde encontra-se Valparaíso. A uns três quilômetros de distância do foco de origem, há uma torre de vigia da CONAF, desde a qual deram o aviso do fogo.

"Desde a torre detectamos esse incêndio e o reportamos de imediato à central de operações da região de Valparaíso e se iniciou o processo de escritório de recursos", como explicou Maldonado. Ao que acrescentou que a essa distância somente podiam detectar a fumaça, mas não podiam ver a causa.

Ainda se desconhece a origem do incêndio, mas uma das hipóteses é que duas aves se eletrocutaram ao chocarem-se contra um poste de eletricidade, caindo sobre a erva, dando assim início ao incêndio. APolícia do Chile, os Carabineiros, "ainda estão investigando estas hipóteses, portanto é pronto para tirar conclusões", disse Maldonado.

FOCOS AINDA ATIVOS 

A maior parte do incêndio já foi controlado, mas ainda ficam dois focos que estão parcialmente ativos, o setor das colinas de Ramadita e Rocuant.

"O problema agora é que ainda existem focos onde há vegetação que não se queimou e há que fazê-la arder ou retirá-la para prevenir futuros incêndios", disse o experto.Há mais de 20 aeronaves, entre as quais se incluem aviões cisterna e helicópteros, trabalhando nesta tarefa.

'Os guardas das cinzas' são os corpos que encarregam-se de prevenir futuros fogos produzidos por novos focos", segundo Maldonado. Ainda que todos os recursos estão ativos e preparados para mobilizar-se, o experto tranquilizou ao afirmar que "o solo é árido e pouco fértil, portanto há pouco risco de que se reative".

O PLANO DE EMERGÊNCIAS

No Chile há dois sistemas de proteção, um privado e outro público. No país há grandes empresas florestais, sobretudo, de plantações de pinheiro, que podem chegar a ter 1,8 milhões de hectares da sua propriedade. Por isso, estas empresas protegem os seus territórios com sistemas de detenção e brigadas próprias. 

"No resto do país, o Estado com CONAF encarrega-se da prevenção de incêndios florestais. Quando algum escapa do controle e se transforma em emergência, se avisa ao sistema de recursos adscritos ao Ministério do Interior e ao sistema de Proteção Civil", disse Maldonado.

No Chile se produzem 5.500 incêndios anuais, dos quais somente 0,8 por cento, 30 ou 40 incêndios, são conflituosos, segundo dados de CONAF.

Quando um incêndio se converte em grave, CONAF avisa ao Escritório Nacional de Emergência (ONEMI), encarregada de coordenar a gestão de recursos adicionais, que contrata mais aeronaves, corpos e brigadas, etc.

"No caso de algumas cidades e povos com interface muito perigosa, como Valparaíso, há um corpo de bombeiros por cada comuna", explicou Maldonado.

MURALHAS

A presidenta do Chile, Michelle Bachelet, já anunciou a reconstrução de Valparaíso. O experto em fogo explicou que esta reconstrução se produzirá com "muitas contribuições do Governo, tanto do regional como central".

"É fundamental que as casas tenham muralhas que as separem entre sim e muralhas que as separem dos barrancos", segundo Maldonado. Além disso, o especialista acrescentou que a época de risco de incêndios ainda não está concluída: "Notamos muito a mudança climática, se antes a época de incêndios era de novembro a março, agora estende de outubro a maio".

Fonte: Notimerica.com