16 abril 2014

Coreia do Sul enfrenta uma das maiores tragédias marítimas dos últimos 40 anos

Ferryboat com 459 pessoas a bordo afunda-se. Autoridades confirmam quatro mortes, mas 291 pessoas continuam desaparecidas sete horas após o acidente, a maioria alunos de uma escola secundária.




Um ferryboat que transportava 459 pessoas, entre as quais 325 estudantes de uma escola secundária das proximidades de Seul, tombou e afundou-se numa viagem para a ilha de Jeju, no sudoeste da Coreia do Sul. Estão confirmadas quatro mortes, mas continuam desaparecidas 291 pessoas.

Numa breve comunicação, um porta-voz da Guarda Costeira disse que apenas podia confirmar o salvamento de 164 pessoas. As primeiras informações indicavam que seguiam a bordo 477 pessoas, mas este número foi revisto em baixa pelas autoridades.

Uma informação inicial, avançada pelo Ministério da Segurança e Administração Pública da Coreia do Sul, dava conta do resgate de 368 pessoas, o que colocaria o número de desaparecidos muito abaixo do que aquele que a Guarda Costeira viria mais tarde a divulgar.

As agência de notícias sul-coreanas dizem que os números iniciais do ministério basearam-se num erro de avaliação, mas é possível que a confusão esteja também relacionada com duas situações normais nestes casos: a necessidade de identificar os passageiros antes de eles serem incluídos na lista de pessoas salvas pelas equipas de resgate e a colaboração não oficial de barcos de pesca, que poderão ter resgatado sobreviventes sem terem notificado as autoridades imediatamente.

Até ao momento há confirmação de duas mortes – uma mulher de 27 anos de idade, que fazia parte da tripulação e que foi encontrada já sem vida no interior da embarcação, e um jovem estudante, que acabou por morrer depois de ter sido resgatado.

A passagem das horas faz temer que o balanço final seja um dos mais trágicos na Coreia do Sul nas últimas quatro décadas, numa escala semelhantes aos afundamentos dos paquetes Namyoung, em Dezembro de 1970 (323 mortos) e Seohae, em Outubro de 1993 (292 mortos).

O ferry Sewol fazia a ligação entre o porto de Incheon, no noroeste do país (a menos de 30 quilómetros da capital, Seul), e a ilha de Jeju, no sudoeste, numa viagem de mais de 430 quilómetros.

Muitos dos passageiros eram estudantes da escola secundária de Danwon, em Ansan, nas proximidades de Seul. Um deles disse à agência de notícias Yonhap que o ferry começou a tombar para um dos lados.

"O navio começou a inclinar-se, e disseram-nos para não nos mexermos porque seria perigoso. Não sei bem o que aconteceu, mas já me disseram que os meus amigos e outras pessoas não conseguiram escapar porque a saídas estava bloqueadas. Parece que muitos estudantes não conseguiram escapar porque a saídas estavam bloqueadas com água", disse o jovem, que não foi identificado.

Ainda não há informações sobre o que poderá ter causado o acidente, mas algumas testemunhas dizem ter ouvido um ruído antes de o ferry ter começado a tombar.

"Ouvimos um barulho enorme e o barco parou. Começou a virar-se e tivemos de nos agarrar a algo para nos mantermos sentados", disse outro dos passageiros, citado pelos media sul-coreanos.

As autoridades dizem que as condições meteorológicas eram normais no momento do acidente, e também não havia problemas de sobrelotação – a embarcação tinha capacidade para transportar 921 passageiros e no momento do acidente estavam a bordo 459 pessoas.

O ferry Sewol saiu do porto de Incheon na manhã de quarta-feira (hora local) mais tarde do que o previsto, devido ao nevoeiro, e deveria atracar na ilha de Jeju nesta quarta-feira à noite. A tripulação enviou um pedido de ajuda a cerca de 20 quilómetros da ilha de Jindo, no extremo sudoeste do país, segundo a Guarda Costeira.

Esta embarcação – que faz a travessia Incheon-Jeju duas vezes por semana – foi construída em 1994, tinha 146 metros de comprimento e 22 de largura. Tinha capacidade para transportar um máximo de 921 pessoas, 180 veículos e 152 contentores.

As operações de salvamento incluem cerca de 40 navios da Guarda Costeira e das Forças Armadas sul-coreanas, helicópteros e mergulhadores da Marinha. Dois anfíbios da Marinha norte-americana que estavam a realizar exercícios militares foram também enviados para a zona.

Cronologia de acidentes marítimos na Coreia do Sul
15 de Dezembro de 1970: o paquete Namyoung afundou-se ao largo da costa da cidade de Yeosu, no sudeste do país. Morreram 323 pessoas.

10 de Outubro de 1993: o paquete Seohae afundou-se ao largo da costa sudoeste, na província de Jeolla. Morreram 292 pessoas.

12 de Maio de 2007: o cargueiro Golden Rose afundou-se no Mar da China Oriental. Morreram seis pessoas e dez pessoas foram dadas como desaparecidas.

Fonte: Público
Video: Youtube