10 abril 2014

Câmara de Aveiro Entrega Protecção Civil aos Bombeiros

A Câmara de Aveiro assinou, esta quinta-feira, um protocolo com as duas corporações de bombeiros da cidade, que passam a assumir a componente operacional da Proteção Civil municipal, que vai ser desmantelada.

"A grande mudança com estes protocolos é a gestão da Proteção Civil. Acabamos a 1 de maio com os serviços operacionais dentro da própria câmara, em que fazíamos de conta e tínhamos quase uma corporação interna, cara e de baixa produtividade", explicou o presidente da Câmara, Ribau Esteves. 

Os funcionários que até aqui estavam adstritos a essas funções regressam à sua divisão municipal de origem e na reestruturação da Câmara a Proteção Civil fica limitada a um gabinete de planeamento. 

"Passa a ser a Câmara no seu todo que mobiliza os seus recursos em caso de necessidade e quando ocorrerem situações excecionais os mecanismos serão acionados", disse o autarca, ao discursar na cerimónia de assinatura dos protocolos, pelos quais a Câmara assume um compromisso financeiro, com calendário de pagamentos definido, de 150 mil euros com os Bombeiros Velhos e de 170 mil euros com os Bombeiros Novos, diferença que é explicada por estes últimos terem a secção de São Jacinto. 

"É a primeira vez que os bombeiros são ouvidos"

Vitor Silva, presidente dos Bombeiros Velhos, disse que a decisão de extinguir a parte operacional da Proteção Civil Municipal vem ao encontro da crítica que os próprios bombeiros faziam ao modelo e salientou que o apoio financeiro da autarquia é essencial para manter os bombeiros de Aveiro com um nível reconhecido. 

O presidente dos Bombeiros Novos, Albuquerque Pinto, considerou os valores protocolados insuficientes, para uma corporação que anualmente tem de gerir cerca de um milhão de euros e que recentemente se tem visto a braços com acidentes, mas destacou que "é a primeira vez que os bombeiros são ouvidos e achados quanto ao seu futuro". 

Segundo Albuquerque Pinto, as duas corporações juntas têm uma capacidade operacional superior aos Sapadores do Porto, pelo que é suficiente para assumir as novas responsabilidades e garantir a segurança dos cidadãos na área da Proteção Civil. 

Extinção dos Serviços Municipalizados 

Além do desmantelamento dos serviços operacionais de Proteção Civil, o executivo municipal liderado por Ribau Esteves decidiu extinguir, com efeitos a partir de 1 de maio, também os Serviços Municipalizados de Aveiro, criados há 90 anos, e esvaziados de competências depois de ter ficado sem os setores da energia elétrica, água e transportes coletivos. 

"Manter uma estrutura de 23 funcionários já não faz sentido, apenas para acompanhar a atividade da SUMA e ERSUC (empresas de resíduos urbanos), pelo que os operacionais serão distribuídos pela Divisão de Ambiente e Serviços Urbanos e os administrativos pelos vários departamentos da Câmara", explicou Ribau Esteves. 


Fonte: JN