31 março 2014

Rebelo Marinho: Sou Candidato

Decorridos quase 3 anos, numa avaliação, distante e descomprometida, tenho a certeza que dei o meu contributo para que o Congresso da Régua, em 2011, tivesse decorrido com urbanidade e cordialidade, apesar de tenso e duro.

Na noite do anúncio dos resultados eleitorais, assumi a derrota, sem acidez nem azedume, com um discurso de rejeição de fracturas e de reconhecimento de objectivos comuns.
No último dia do Congresso, estive presente na Sessão de Encerramento e, mais tarde, fui à posse dos novos Órgãos Sociais.

Estes meus gestos não foram inocentes e, aproveitando momentos simbólicos, pretendi ,com eles,sinalizar disponibilidade para colaborar, vontade em cooperar e empenho em construir unidade.
Esse gesto é meu património, e não admito, nem vou admitir, que, seja quem fôr, com propósitos eleitoralistas, discurso fácil e memória curta, dele se queira aproveitar,agora, sem antes ter mexido uma palha para o conseguir. 

Entretanto, não faltei a um único Conselho Nacional, marquei presença no Congresso Extraordinário das Caldas da Rainha e também nas reuniões do Conselho Executivo com os Presidentes de Federação, tendo dado o meu modesto contributo em todas as reuniões de trabalho, sempre procurando ajudar a construir.
Com este comportamento, quis transmitir que as divergências não têm que ser para a vida.

Podem ser alimentadas, até neutralizadas, mas também podem ser agravadas, tudo dependendo das lideranças, do seu perfil, do seu trabalho e das pontes que se quiserem, ou não quiserem, se souberem, ou não souberem, construir.

É certo que das disputas eleitorais, quando elas são duras e pesadas, ficam sempre feridas, mas cabe-nos a nós, que travamos combates, fazer com que as feridas se curem depressa e que as cicatrizes pouco se fiquem a notar.
Quando assim não acontece, é porque, ou houve intervenção tardia ou houve falha das partes.

Tendo sido eu candidato no último Congresso, e continuando activo, confesso que esperava outro comportamento do Presidente da Liga, e surpreendeu-me que não tivesse havido da sua parte, nestes 3 anos, nenhum, repito, nenhum gesto de aproximação, nenhuma ponte, nenhuma procura de unidade, nenhum sinal de inclusão.
Estou de consciência tranquila e ninguém me pode acusar de ter fechado portas.
Assim sendo, as divergências, quando subsistem, só podem gerar consequências.
Em função de tudo o que disse acima, em razão de uma análise ao Congresso anterior e depois de uma reflexão prolongada, e ponderada, ao sector, às suas dinâmicas, às suas expectativas e às suas dores, entendi ter chegado a hora de extrair consequências das minhas divergências, que são muitas.

O estilo de intervenção, a definição de prioridades , o conteúdo da acção e a produtividade do trabalho, tudo me afasta da actual liderança da Liga.
Tenho um projecto para os bombeiros, sustentado num pensamento próprio e valorizado num trabalho de equipa.

Bem sei que abraçar um projecto, implica ter um programa, inovador e realista, constituir uma equipa, experiente e renovada, e montar uma estratégia, eficaz e adequada, que apresentarei, e explicitarei, em momento próprio.

De qualquer forma, adianto que será um programa valorizador do papel social do Bombeiro, enquanto técnico qualificado de protecção e socorro, um programa que aposta em rupturas sem promover fracturas, um programa que define estratégias e fixa compromissos, um programa que valoriza a identidade das organizações de bombeiros e aposta na modernidade dos seus modelos de gestão e de resposta.

Um programa construído sobre um quadrilátero, composto de módulos estruturantes e medidas instrumentais, que apontam, todos eles, para a garantia e prossecução de objectivos nucleares das nossas estruturas: a sua identidade, sustentabilidade, representatividade, funcionalidade e operacionalidade.

Nestes termos, anuncio a minha candidatura à Presidência do Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses, desejando que, a partir de agora,o combate que aí vem,decorra com civilidade e com verdade, que seja um bom combate, sabendo que um bom combate é aquele que conta com bons interlocutores, que esgrimem, apenas, bons argumentos.



Rebelo Marinho
        O Zingarelho