12 março 2014

Região algarvia prejudicada por INEM gerir meios a 300 km de distância

O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Sul considerou hoje que a população algarvia está a ser prejudicada por o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) gerir os meios para a região a 300 quilómetros de distância. 

“O Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Algarve foi descontinuado após a extinção da Delegação Regional do INEM Algarve em 2012, por questões meramente economicistas. Estas medidas levaram à centralização da gestão dos pedidos de emergência, aumentando o tempo de chegada e também a má referenciação dos locais, agravando o estado de quem precisa de assistência imediata”, critica, em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónoma (STFPSSRA). 

A Delegação Distrital de Faro do sindicato considera que “existe um manifesto prejuízo para a população algarvia e para todos os que visitam” a região, quando toda a gestão da logística e dos meios materiais (viaturas) e humanos se processa a 300 quilómetros de distância e completamente desarreigada das reais necessidades”. 

A estrutura sindical refere que o “INEM decidiu, com indubitável precipitação, desguarnecer a região do Algarve do CODU” e acrescenta ser “indispensável reforçar a sua importância e operacionalidade” na principal região turística do país. 

Contactada pela Lusa, a Federação dos Bombeiros do Algarve, através do seu presidente Teodósio Carrilho, também reconheceu que o distanciamento dos centros de triagem da região está a causar atrasos nos tempos de respostas e nas localizações exatas do socorro a prestar, mas apelou a uma solução negociada que permita o regresso desse atendimento à região. 

Teodósio Carrilho apontou como exemplo a localidade Sesmarias, "que existe em vários concelho do Algarve e, com o afastamento, pode provocar enganos" na resposta. 

"Por isso é que se está a tentar que o CODU volte para o Algarve, mas para isso é preciso sensibilizar todos, a sociedade civil, para quem de direito tomar a decisão", afirmou ainda o presidente dos bombeiros algarvios. 

Ainda segundo o sindicato, o CODU foi "criado para responder com prontidão e eficácia a quem necessita de Suporte Avançado de Vida" e, "para cumprir [essa missão], torna-se necessário que os elementos que fazem parte do CODU conheçam bem a região, facilitando, assim, a ativação e orientação dos meios de socorro para o local exato e, mais importante, sem perda de tempo". 

O sindicato referiu ainda que este cenário está a fazer o INEM do Algarve “perder operacionalidade, capacidade de desempenhar eficazmente as suas funções” e a “colocar desnecessariamente em risco a rapidez de atuação e a sua eficiência funcional”. 

Perante as críticas do sindicato, a agência Lusa tentou ouvir o INEM, mas fonte do instituto recusou prestar esclarecimentos.


fonte: DiáriOnline