12 março 2014

Rebelo Marinho: Um Rescaldo Estranho

No ano findo, na acalmia do período mais crítico dos incêndios florestais, os bombeiros do distrito de Viseu foram surpreendidos nos seus quartéis com “ visitas”, muito pouco simpáticas, de elementos do SEPNA que, acomodados na lei, inquiriram os supostos autores de eventuais ilícitos sobre as suas responsabilidades no uso da manobra do contra-fogo, não se coibindo de advertir de eventuais futuros procedimentos, criminais, até.
Falta dizer que as inquirições foram feitas, ignorando, e marginalizando, em alguns casos, os comandantes dos corpos de bombeiros, num claro desrespeito pelas estruturas internas e respectivas cadeias hierárquicas.

Igualmente grave, fizeram-se, marginalizando a ANPC/CDOS, enquanto entidade de tutela e que, neste, como em outros casos, devia ser “tida e achada”.
Mas não foi.
Neste campo, o bom senso não prevaleceu.
Mesmo com pouco cuidado e até nenhum jeito, o que se fez, só se fez porque houve muita insensibilidade e imprudência à mistura.
Curiosamente, depois de denunciadas, as investidas pararam…mas é só uma curiosidade...
Por vezes, é preciso, e compensa, ai se compensa, denunciar… e alertar….

Do relatório, ou da informação interna, questões semânticas à parte, enviado às entidades superiores, não se conhece conteúdo, salvo aquele que se sabe, por “fuga” cirurgicamente transmitida à comunicação social que dele fez eco, ao tempo, nem se conhece rasto, porque não há notícia dos resultados da participação.
Em vez destes escritos e dos tempos perdidos com “fugas” mal paridas, melhor seria que todos nos tivéssemos sentado à mesa.

Promovendo reuniões concertadas, de perfil pedagógico e correctivo, alargadas às entidades interessadas para avaliar práticas recentes e discutir procedimentos futuros
Recupero o assunto, com os primeiros, e já quentes, raios de sol, e os incêndios florestais a darem nota de si, para desejar que, ao menos, no próximo, e iminente verão, as coisas anteriores sirvam de lição e as futuras sejam diferentes, assim como os propósitos e intervenções dos diversos responsáveis.

E cá ficamos, pacientes e expectantes, desta e de outras tantas temáticas, confiantes que haja mais cooperação institucional e outra colaboração operacional.
E outro respeito.

Para o bem de todos.
Como o ano passado é que não pode voltar acontecer.
É que os bombeiros estão cá para tudo, mas não têm que se sujeitar a tudo.


Rebelo Marinho
            O Zingarelho