06 março 2014

Protocolo entre Câmara e Bombeiros de Arouca apoia transporte de doentes oncológicos

A autarquia de Arouca vai apoiar o transporte de doentes oncológicos e em tratamento prolongado até hospitais do Porto e Aveiro em casos de carência económica para suportar viagens, que chegam a ser de duas horas em cada sentido.


Envolvendo a Câmara Municipal e a corporação local de Bombeiros Voluntários, o protocolo tem a duração inicial de um ano, abrange doentes em situação de tratamento médico urgente e prolongado, e dispõe para o efeito de um orçamento de 1000 euros mensais.

Para a vereadora Margarida Belém, o que se pretende é "evitar a sobrecarga de pessoas que, pela sua doença, já estão muito fragilizadas e se veem numa situação ainda mais difícil dada a sua carência financeira e as dificuldades do concelho em termos de acessibilidades para grandes trajetos".

Reconhecendo que faltam em Arouca transportes públicos que viabilizem a frequência desses tratamentos, a autarca quer "impedir que outras pessoas tenham que faltar ao emprego para levar os seus familiares ao hospital" e precaver que esses doentes cheguem mesmo a desistir do acompanhamento médico por não terem como pagar as deslocações nem quem os possa ajudar a realizá-las.

"É uma sobrecarga muito grande", confirma à Lusa Celso Portugal, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arouca. "As pessoas já estão debilitadas e, se tiverem que fazer tratamentos prolongados por vários dias consecutivos, o esforço físico é esgotante e a questão dos custos não ajuda".

Para esse responsável, um exemplo que ilustra essa situação "dolorosa" é o dos pacientes que vivem em Alvarenga, a cerca de 20 quilómetros do centro de Arouca. "Se o doente vier dessa freguesia, tem que se levantar às seis da manhã e fazer duas horas de viagem até ao IPO do Porto, onde as pessoas são atendidas por ordem de chegada", explica.

"Como alguns tratamentos duram cinco a sete horas, a ambulância fica à espera da pessoa e depois ela faz outras duas horas de curvas e contracurvas até casa, para chegar lá à noite e no dia seguinte voltar a levantar-se às seis da manhã", continua. "É um sacrifício muito grande, um esforço sobre-humano".

Os casos a apoiar pelo novo protocolo entre autarquia e Bombeiros Voluntários serão sinalizados pela rede social do município, garantindo Margarida Belém que haverá "um controlo muito grande para seleção das situações prioritárias".

Celso Portugal espera que, dada a exiguidade do orçamento mensal para o projeto, a autarquia encontre também "outras soluções" para o mesmo objetivo, nomeadamente ao nível do alojamento dos doentes sujeitos a tratamento prolongado.

"No caso da hemodiálise, ainda levamos cinco ou seis pessoas de uma vez, mas, com os doentes de oncologia, é quase impossível conciliar dois tratamentos à mesma hora", nota o presidente da Associação Humanitária. "Então se um desses doentes tiver que fazer tratamento durante duas ou três semanas seguidas e o tivermos que levar lá todos os dias, o orçamento desaparece num instante", garante.

Nessas situações, a corporação já procura assegurar que o doente fique internado no IPO durante o período total do tratamento, mas Celso Portugal admite que isso nem sempre é possível. Por isso mesmo, defende que "é preciso ir mais longe e fazer um esforço maior no sentido de também se criarem condições para o alojamento dessas pessoas".

Fonte: Porto Canal