04 março 2014

Ondas gigantes arrastam pedras e derrubam muros de norte a sul

Agitação marítima pôs o país em alerta vermelho. Paredão de Cascais, praias de Sintra, de Almada ou da Foz do Douro estiveram condicionadas


O risco extremo na costa portuguesa voltou a por parte do país em alerta vermelho. A ameaça de ondas entre sete e nove metros colocou a protecção civil de sobreaviso, mas não impediu que a agitação marítima provocasse ontem vários estragos e obrigasse ainda a vedar acessos de norte a sul do país.

Na região de Lisboa, a protecção civil interditou os acessos na praia Grande, em Sintra, e ainda parte do Paredão, em Cascais. O mar derrubou parte do muro da praia das Maçãs e invadiu a estrada, levando as autoridades a condicionarem o trânsito no acesso junto às piscinas da Praia Grande, em Sintra. Segundo a autarquia, "o acesso à praia ficará cortado até estarem reunidas condições de segurança para pessoas e bens".

A norte, o mar voltou a atingir a Foz do Douro, no Porto, tendo chegado à marginal, causando alguns danos materiais. Na praia de Moledo, em Caminha, uma vaga com vários metros atingiu o paredão, derrubando o muro e obrigando alguns dos populares a fugir do local. Pedras com 200 quilos foram arrancadas pela força do mar, o que aconteceu pela segunda vez em menos de um mês.

Nas praias da Costa da Caparica, em Almada, as ondas também subiram o paredão da frente urbana, mas ontem ao início da noite, as autoridades temiam que a situação se complicasse ainda mais durante a madrugada com a preia-mar prevista para as 4h22. A capitania do Porto de Lisboa já alertou os donos dos bares de praia para eventuais avanços do mar, advertindo que a situação mais crítica poderia acontecer a partir das 22h00. "Aconselhamos as pessoas a não ir à noite para estes locais", explicou à Lusa o comandante Cruz Gomes.

Em Ovar a situação é também de risco, tendo a câmara municipal iniciado ontem obras de emergência a sul do Furadouro, local onde o presidente da autarquia diz ser impossível esperar mais, porque parte do piso da marginal cedeu e há áreas ocas sob a superfície.

Pedras de seis toneladas começaram a ser depositadas, ontem pela manhã, a sul da praia, onde o mar abriu rombos e causou derrocadas. A autarquia avançou, por isso, com a requisição urgente de pedra, iniciando ontem de manhã a sua colocação no local, para substituir as defesas frontais aderentes e "para evitar mais derrocadas como a que aconteceu domingo", contou o autarca Salvador Malheiro. Só nessa zona do Furadouro, cerca de uma centena de metros a sul do extremo da Avenida Central, a intervenção deve custar cerca de 500 mil euros.

Em Leiria os trabalhos de prevenção na única estância balnear do concelho começaram no fim-de-semana. A câmara colocou no terreno máquinas que percorreram a praia do Pedrógão para fazer a reposição de areias e assim prevenir o avanço do mar, disse fonte do gabinete da presidência. Os trabalhos incidem na zona norte da praia, junto ao Centro Azul, onde os estragos do mar mais se têm feito sentir.

Fonte: Jornal I