25 março 2014

Fogo no Caramulo custou 1,5 milhões

Os incêndios do Caramulo, no ano passado, devastaram uma área de 2.867,76 hectares - entre propriedade pública e privada - e causaram prejuízos de cerca de 1,5 milhões de euros.

Luís Patrick, de 28 anos, e Fernando Marinho, de 20, estão a contas com a Justiça por terem causado um dos maiores incêndios dos últimos anos, que vitimou quatro bombeiros. Foram acusados pelo Ministério Público (MP) de um crime de incêndio florestal, quatro crimes de homicídio qualificado e trezes crimes de ofensa à integridade física qualificada (pelos ferimentos sofridos por outros bombeiros).

E o MP quer que sejam julgados por um tribunal de júri. «Não apresentam um juízo crítico sobre os factos, manifestando até prazer na observação e divulgação do incêndio, inclusivamente em redes sociais» (Fernando publicou várias fotos na sua página de Facebook) - lê-se no despacho de acusação, assinado pela procuradora da República Ana Cláudia Peixoto - que considerou que os dois jovens têm uma «personalidade propícia à repetição de actos semelhantes», tanto mais que o seu «modo de vida» lhes oferece «uma grande mobilidade nos domínios rurais e florestais».

Arguido tentou influenciar testemunhas

A procuradora do Tribunal de Vouzela pediu por isso que os arguidos, ambos desempregados, continuem a aguardar julgamento em prisão preventiva, invocando também o perigo de perturbação do inquérito. Isto porque um deles, Luís Patrick, contactou, por telefone ou através do seu pai, várias testemunhas a quem pediu que dissessem em tribunal que esteve na sua companhia quando o incêndio deflagrou, para afastar suspeitas sobre a sua participação nos factos.

A magistrada lembrou ainda que Patrick vivia no Luxemburgo, onde nasceu, o que facilita a sua circulação. A relação de amizade com Fernando, conhecido por 'Tutu', também facilita a sua saída para o estrangeiro.

O incêndio foi ateado dia 29 de Agosto do ano passado, perto da meia-noite. Tinham ingerido várias bebidas alcoólicas na praia fluvial da Ribeira da Serra, em Vouzela, até decidirem partir na mota de Patrick - que não tinha licença para a conduzir. E subiram a serra por um estradão em direcção às torres eólicas ali instaladas. Foram percorrendo vários metros, a pé, lançando fogo aos arbustos com um isqueiro, segundo descreve o despacho de acusação. Atearam, assim, vários focos de incêndio, que se alastrou a vários concelhos e só seria extinto ao fim de sete dias, causando mais de um milhão de euros de prejuízo.

Enquanto cruzavam a serra, os arguidos iam comentando entre si, «em tom de brincadeira, que o barulho provocado pelo fogo se parecia com o barulho de foguetes», escreveu a procuradora.

O processo, no qual estão arroladas 37 testemunhas de acusação, ainda não tem data de julgamento marcada.


fonte: Lusa