25 março 2014

Caramulo: Incendiários atearam fogo para se divertirem

MP diz que os dois arguidos se riram do incêndio que matou quatro bombeiros e até terão comentado: "Parece o barulho de foguetes"

Depois de terem estado a beber vodka na praia fluvial de Viladra (Vouzela), Luís Teixeira e Fernando Marinha saíram juntos de mota para atear aquele que foi o maior incêndio de 2013 e matou quatro bombeiros. Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a que o i teve acesso, na noite de 20 de Agosto os dois arguidos só pararam numa zona de eólicas, onde atearam o primeiro fogo com um isqueiro. A seguir, voltaram para trás e atearam outro foco em Lapa de Maruje. Minutos depois, descreve o MP, os arguidos passaram pelo lugar do segundo incêndio e "comentaram entre si, em tom de brincadeira, que o barulho provocado pelo fogo se parecia com o barulho de foguetes".

Nessa noite, Luís e Fernando terão ateado outros sete focos de incêndio, para que o fogo "evoluísse e se juntasse numa só linha e assim se propagasse mais rapidamente", segundo a acusação assinada pela procuradora do Tribunal de Vouzela Ana Cláudia Peixoto. Por volta da uma da manhã, regressaram a casa de moto e, pelo caminho, cruzaram-se com os bombeiros, já a combater as chamas do primeiro foco de incêndio. Os dois jovens estão acusados de um crime de incêndio florestal, 13 crimes de ofensa à integridade física qualificada e quatro de homicídio qualificado e o MP requereu que o julgamento - ainda sem data marcada - seja feito por um tribunal de júri.

Até lá, os arguidos deverão continuar detidos. Uma medida que o MP justifica com a "ausência de inserção escolar ou profissional" dos arguidos e o "perigo da continuação da actividade criminosa", numa época do ano em que "as condições meteorológicas são já favoráveis ao deflagrar de incêndios". O MP sublinha, por outro lado, que Luís Teixeira vive no Luxemburgo, o que "facilita a sua circulação e dificulta a determinação do seu paradeiro", e recorda que o arguido tem antecedentes criminais. Luís Teixeira cumpriu pena de prisão no Luxemburgo por um crime de ofensa à integridade física, além de ter sido multado por "acesso fraudulento à rede de internet sem fio e crimes rodoviários". Para o Ministério Público, os arguidos mostraram "prazer na observação e divulgação do incêndio" que atearam. Fernando Marinho, por exemplo, publicou fotografias do fogo no Facebook. E o MP teme que, se os dois arguidos aguardarem julgamento em liberdade, as populações afectadas tentem "fazer justiça pelas próprias mãos".

PEDE A TESTEMUNHAS QUE MINTAM 

Luís Teixeira, que também vai responder em tribunal por conduzir a moto sem ter carta, terá pedido a testemunhas que mentissem. De acordo com a acusação, o arguido, que está em prisão preventiva desde 6 de Setembro, terá "sugerido" a algumas testemunhas que, "na eventualidade de virem a ser inquiridas, atestassem que, quando deflagrou o incêndio, o arguido se encontrava na sua companhia". Segundo o MP, os telefonemas terão sido feitos pelo pai, com o objectivo de atirar toda a culpa para Fernando Marinho, detido preventivamente desde 31 de Agosto. Contactado pelo i, o advogado de Luís Teixeira, Francisco Marques Vieira, remeteu para mais tarde um comentário ao teor da acusação.


fonte: iOnline